Se tens andado a acompanhar os meus artigos aqui na Leak, já percebeste que o “RAMpocalypse” é uma realidade e veio para ficar. Aliás, é muito provável que o vás começar a sentir muito más até ao final do ano, porque muitas das grandes marcas está… A aumentar preços como nunca antes tínhamos visto.
Mas o que ninguém esperava era ver a toda-poderosa Apple, que costuma controlar tudo e todos com punho de ferro, numa posição de quase desespero. A verdade é que a crise dos componentes atingiu proporções tão absurdas que Tim Cook está literalmente a fazer lóbi junto da administração Trump para conseguir acesso a chips de memória chineses que estão na lista negra do Pentágono.
O alvo da Apple é a fabricante chinesa CXMT, banida pelos Estados Unidos. Para se ter uma noção do risco político desta jogada, a Apple prefere enfrentar a fúria da Casa Branca a ter de continuar a submeter-se aos preços pornográficos impostos pela Samsung, SK hynix e Micron.
Como já partilhei contigo, a Apple aumentou recentemente os preços dos Macs e iPads, com Tim Cook a admitir publicamente que nunca viu uma escalada de preços assim em mais de 40 anos de carreira. Mas o verdadeiro pesadelo está no iPhone 18 Pro (Pro Max e Ultra também), que chega já em setembro.
Os números explicam bem o pânico em Cupertino! Em 2025, a memória RAM e o armazenamento representavam apenas 9% do custo total de produção (BOM – Bill of Materials) de um iPhone 17 Pro de 256GB. Agora, no iPhone 18 Pro com os mesmos 256GB, estes dois componentes vão sugar uns impressionantes 27% de todo o custo do aparelho. Os contratos de memórias dispararam para os 145 dólares por unidade. É insustentável.
A chinesa CXMT surge aqui como a única salvação para os lucros da Apple. A empresa está a expandir as suas fábricas à força toda, e mesmo que não consiga fornecer todas as memórias de que a Apple precisa, a sua entrada na corda bamba daria a Tim Cook uma arma gigante para negociar os preços com as marcas coreanas e americanas.
Segundo o Financial Times, a Apple já abordou diretamente o Departamento de Comércio dos EUA e vários aliados em Washington para conseguir uma licença especial de importação. Se o governo de Donald Trump abrir esta exceção por razões económicas, é quase certo que a gigante das memórias Flash YMTC (outra empresa chinesa banida) venha logo a seguir na boleia. Isto marcaria o regresso em força da China à cadeia de fornecimento mais valiosa do mundo.
O que seria de facto uma boa notícia para quem quer comprar tecnologia, sem deixar um rim ou meio pulmão no balcão da loja.
Mas, Donald Trump tem de deixar, e isso é sempre um tema complicado.
Fonte: Zero Zero






