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Banco Mundial Prevê Crescimento Mundial Mais Fraco Desde A Pandemia, Apenas 2,5%, E Alerta Para Década Perdida Nos Países Emergentes

Resumo

A economia mundial enfrenta um novo choque devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente, levando a preços energéticos mais altos, pressões inflacionistas e políticas monetárias restritivas. O Banco Mundial prevê que o crescimento global caia para 2,5% em 2026, o mais lento desde a pandemia. As economias dependentes de energia e afetadas por tensões geopolíticas são as mais atingidas. As economias emergentes terão um crescimento de 3,6% em 2026, com a recuperação dos níveis pré-pandemia prevista apenas após 2028. O sector energético é identificado como o principal risco económico, com a guerra no Médio Oriente a pressionar os mercados energéticos. O aumento da dívida pública nas economias emergentes também é destacado como uma ameaça, atingindo níveis históricos.

A economia mundial enfrenta um novo choque de grande dimensão. Segundo a edição de Junho do relatório Global Economic Prospects do Banco Mundial, o agravamento do conflito no Médio Oriente está a provocar uma combinação de preços energéticos mais elevados, renovadas pressões inflacionistas e expectativas de políticas monetárias mais restritivas, factores que deverão conduzir a uma desaceleração significativa da actividade económica global.

A instituição prevê que o crescimento mundial recue para 2,5% em 2026, abaixo dos 2,9% registados em 2025, representando o ritmo de expansão mais lento desde a pandemia da COVID-19. A desaceleração afecta particularmente os países dependentes das importações de energia e as economias directamente impactadas pelas actuais tensões geopolíticas.

Embora o Banco Mundial antecipe uma recuperação gradual entre 2027 e 2028, apoiada pela normalização dos mercados energéticos, pela retoma do comércio e por condições monetárias mais favoráveis, o cenário permanece marcado por elevados níveis de incerteza.

Economias Emergentes Enfrentam Nova Travagem

As economias emergentes e em desenvolvimento voltam a surgir entre as mais vulneráveis ao actual contexto internacional.

Segundo o relatório, o crescimento deste grupo de países deverá desacelerar para 3,6% em 2026, com todas as regiões emergentes a registarem um desempenho inferior ao observado em 2025. O crescimento do rendimento per capita deverá igualmente atingir o ritmo mais fraco desde a pandemia.

Particularmente preocupante é a conclusão de que os países emergentes — excluindo China e Índia — apenas deverão recuperar os níveis de convergência de rendimento existentes antes da pandemia depois de 2028.

Na prática, isso significa que grande parte do mundo em desenvolvimento poderá enfrentar quase uma década perdida em matéria de aproximação económica aos países mais avançados.

Energia Continua A Ser O Principal Factor De Risco

O Banco Mundial identifica o sector energético como o principal canal de transmissão dos actuais riscos económicos.

A guerra no Médio Oriente voltou a colocar pressão sobre os mercados de energia, contribuindo para o aumento dos preços das matérias-primas e para o regresso das preocupações inflacionistas.

A instituição alerta que uma nova escalada militar ou interrupções mais prolongadas nos fluxos globais de commodities poderão agravar ainda mais os preços da energia e dos alimentos, aumentar a insegurança alimentar e provocar novas tensões financeiras.

Num cenário mais adverso, em que as perturbações energéticas se revelem mais severas do que o actualmente previsto e sejam acompanhadas por forte stress financeiro, o crescimento global poderá cair para apenas 1,3% em 2026.

Dívida Pública Surge Como Outra Ameaça

O relatório dedica particular atenção ao aumento do endividamento público nas economias emergentes.

Segundo o Banco Mundial, os níveis actuais de dívida encontram-se em máximos históricos, contribuindo para o aumento dos custos de financiamento e para uma maior vulnerabilidade financeira.

A análise mostra que o aumento dos rácios de dívida pública está associado à subida dos juros exigidos pelos investidores, tanto nos mercados internacionais como domésticos.

O problema torna-se ainda mais grave em países com histórico de incumprimento, baixa classificação de risco, dependência de dívida de curto prazo ou instituições mais frágeis.

Segundo o Banco Mundial, a trajectória recente da dívida pública desde 2010 contribuiu para um aumento expressivo dos custos de financiamento enfrentados pelos países emergentes.

Exportadores De Recursos Continuam Expostos À Volatilidade

Outro capítulo do relatório aborda os desafios específicos enfrentados pelos países exportadores de commodities.

Segundo a instituição, as oscilações dos preços internacionais continuam a representar um dos principais factores de instabilidade fiscal nas economias dependentes da exportação de recursos naturais.

O Banco Mundial observa que muitos países tendem a aumentar a despesa pública durante períodos de preços elevados das commodities, reduzindo a capacidade de acumular reservas para enfrentar futuras crises.

A experiência internacional demonstra que mecanismos como fundos soberanos, regras fiscais credíveis, melhor gestão da dívida e diversificação das fontes de receita podem contribuir para reduzir a volatilidade económica e fortalecer a resiliência fiscal.

Emprego Torna-Se O Grande Desafio Da Década

Apesar dos riscos associados à energia, à inflação e à dívida, o Banco Mundial identifica a criação de emprego como um dos maiores desafios económicos globais da próxima década.

O abrandamento do crescimento deverá traduzir-se em menor investimento, contratações mais limitadas e menor margem fiscal para apoiar políticas públicas, precisamente num momento em que milhões de jovens entram anualmente no mercado de trabalho das economias emergentes.

Segundo a instituição, responder a este desafio exigirá investimentos consistentes em capital humano, infra-estruturas físicas e digitais, melhoria do ambiente de negócios e maior mobilização de investimento privado.

O Que Significa Para Moçambique?

Para Moçambique, as conclusões do relatório possuem particular relevância.

Enquanto economia importadora de combustíveis e simultaneamente exportadora de recursos naturais, o país encontra-se exposto tanto aos riscos associados à volatilidade dos preços energéticos como às oportunidades decorrentes da procura global por novas fontes de abastecimento.

Ao mesmo tempo, as recomendações do Banco Mundial convergem com várias das prioridades actualmente defendidas pelo Governo moçambicano, incluindo a criação de emprego para jovens, o fortalecimento do capital humano, a diversificação económica e a mobilização de investimento privado.

Num contexto internacional cada vez mais incerto, o relatório deixa uma mensagem clara: a capacidade de criar empregos, reforçar a resiliência fiscal e acelerar a transformação produtiva será determinante para que os países emergentes consigam transformar os desafios actuais em oportunidades de desenvolvimento sustentável.

Fonte: O Económico


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