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Boas notícias para o seu bolso? Petróleo recua e pode aliviar o preço dos combustíveis

Resumo

O preço do petróleo está em queda devido à expectativa de normalização energética após acordo entre EUA, Israel e Irão, com o Brent a atingir o valor mais baixo desde março. Analistas como Tamas Varga e Vandana Hari têm perspetivas diferentes sobre o impacto da queda nos mercados. A descida reflete a confiança na resolução do conflito e na reabertura do Estreito de Ormuz, mas há cautela devido a possíveis contratempos logísticos. A reabertura do estreito é crucial para a estabilidade do mercado energético global, afetado pela redução do tráfego marítimo e aumento dos preços. Em Portugal, a descida do preço do petróleo pode levar a uma redução dos preços dos combustíveis, beneficiando os consumidores e contribuindo para travar a inflação e baixar o custo de vida.

O preço do petróleo está a cair de forma consistente, com os mercados a anteciparem um regresso à normalidade energética antes da assinatura de um acordo para terminar a guerra entre os Estados Unidos e Israel com o Irão. O Brent já está no valor mais baixo desde o início de março.

Os futuros do Brent com entrega em agosto recuaram quase 1% esta quarta-feira, depois de já terem caído cerca de 5% em cada um dos dois dias anteriores.

Com isto, o de referência europeia ficou cotado nos 78,24 dólares por volta das 9h de Lisboa, o valor mais baixo desde 3 de março, três dias depois do início do conflito.

Para se ter uma ideia da dimensão da escalada e do posterior alívio, depois de ter subido mais de 50% durante a guerra, o preço do crude está agora apenas cerca de 7% acima do valor registado antes dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, a 28 de fevereiro.

Para Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates, em Londres, o cenário imediato parece otimista, sem se anteciparem grandes contratempos.

Segundo o analista, a queda acumulada do Brent nas últimas quatro sessões, cerca de 17 dólares por barril, reflete a confiança crescente de que o pior em termos de disrupção do fornecimento já passou.

Já Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, em Singapura, é mais cautelosa. Apesar do alívio trazido pelo anúncio do memorando de entendimento entre Estados Unidos e o Irão, a analista sublinha que a parte mais difícil, que é cumprir efetivamente as promessas assumidas, ainda está para vir.

De acordo com Hari, a descida atual do preço do crude resulta do sentimento dos investidores, que estão a antecipar o melhor cenário possível para a normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz. Contudo, falta ponderar devidamente eventuais contratempos logísticos ou novas tensões geopolíticas.

Os detalhes do memorando, que deverá ser assinado já esta sexta-feira, ainda não são totalmente conhecidos, mas a expectativa é que o Irão ponha fim ao encerramento quase total do Estreito de Ormuz. Em troca, os Estados Unidos deverão, entre outras concessões, levantar o bloqueio aos portos iranianos.

Esta reabertura seria um passo decisivo para restaurar a confiança nas cadeias de abastecimento energético, depois de quase quatro meses de instabilidade.

O tráfego marítimo no estreito tem estado reduzido a um fio devido à ameaça de mísseis, drones e minas iranianas, o que tirou ao mercado global uma estimativa de 14 milhões de barris de petróleo por dia e resultou num aumento expressivo dos preços de vários bens.

Para os portugueses, uma descida sustentada do preço do petróleo a nível internacional tende a refletir-se, com algum desfasamento, no preço dos combustíveis nas bombas de gasolina, uma vez que Portugal importa praticamente todo o petróleo que consome.

Se a tendência de queda do Brent se confirmar nas próximas semanas, é plausível que a gasolina e o gasóleo fiquem mais baratos, aliviando a fatura de quem depende do carro para se deslocar diariamente.

Este efeito pode ainda alastrar-se a outros setores, como os transportes de mercadorias e a logística, contribuindo para travar a inflação e baixar ligeiramente o custo de vida em geral.

Ainda assim, vale a pena ter em conta que o preço final na bomba depende, também, de outros fatores, pelo que uma queda no mercado internacional não se traduz, de forma imediata ou proporcional, numa descida equivalente no preço pago pelos consumidores.

 

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Fonte: Pplware

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