Resumo
Bruno Fernandes destacou-se no Manchester United apesar dos problemas do clube, tornando-se o líder criativo da equipa. Na última temporada, fez história na Premier League com 21 assistências, ultrapassando Thierry Henry e Kevin De Bruyne. O médio português manteve um desempenho consistente, contribuindo diretamente para 30 dos 69 golos do United. Mesmo num contexto de instabilidade e mudanças no clube, Bruno Fernandes destacou-se pela sua influência nos momentos cruciais, sendo considerado o jogador mais influente da competição. A sua capacidade de manter um alto rendimento individual, mesmo quando a equipa não estava no seu melhor, foi fundamental para o Manchester United se manter competitivo.
Durante muito tempo, falar de Bruno Fernandes implicava quase sempre discutir os problemas do Manchester United. A instabilidade do clube, os maus resultados e a distância cada vez maior para os principais rivais acabaram por criar uma espécie de ruído permanente à volta da equipa. No meio desse cenário, houve, porém, uma constante que resistiu a tudo: o rendimento do médio português. A temporada agora concluída tornou essa evidência impossível de ignorar.
Na vitória por 0-3 frente ao Brighton & Hove Albion, Bruno Fernandes fez a assistência que o colocou isolado no topo da história da Premier League, com 21 passes para golo numa única edição da competição. Um número que ultrapassa registos históricos de jogadores como Thierry Henry e Kevin De Bruyne, ambos com 20.
O feito ganha ainda mais dimensão quando se olha para o contexto em que foi alcançado. Bruno Fernandes não fez esta temporada numa equipa dominadora, organizada e confortável no topo da tabela. Fez tudo isto num Manchester United que passou grande parte da época entre dúvidas tácticas, mudanças de rumo e dificuldades competitivas. Henry alcançou esse registo num Arsenal dominador. De Bruyne conseguiu-o num Manchester City desenhado para controlar jogos através da posse e da superioridade colectiva. E talvez seja precisamente isso que torna esta época tão especial.
Desde a sua chegada, em fevereiro de 2020, Bruno Fernandes transformou-se rapidamente na principal referência criativa do Manchester United. Mesmo entrando a meio da temporada, terminou essa primeira campanha com oito golos e oito assistências em apenas catorze jogos, antecipando aquilo que viria a ser a sua trajectória em Inglaterra: regularidade competitiva num clube que raramente conseguiu ser regular.
Os últimos anos do United explicam parte desse cenário. A equipa terminou em segundo lugar em 2020/21, caiu para sexto na época seguinte, recuperou para terceiro em 2022/23, desceu para oitavo em 2023/24 e terminou a temporada passada num preocupante 15.º lugar. Em diferentes momentos, mudaram os treinadores, os modelos de jogo e as prioridades do clube. O rendimento de Bruno Fernandes, esse, manteve-se quase sempre no mesmo patamar.
Nesta época, o português liderou a Premier League em assistências e ocasiões criadas, participando directamente em 30 dos 69 golos marcados pelo Manchester United. Terminou o campeonato com 21 assistências e nove golos em 35 jogos, números que ajudam a explicar porque foi considerado o jogador mais influente da competição.
São números impressionantes, mas reduzi-los apenas à estatística seria injusto. Há jogadores que acumulam bons números porque fazem parte de grandes equipas. No caso de Bruno Fernandes, muitas vezes foi precisamente o contrário: o Manchester United conseguiu manter-se competitivo porque ele apareceu nos momentos decisivos.
Foi precisamente essa combinação entre produção individual e contexto competitivo que levou Gary Neville a considerar esta uma das campanhas criativas mais impressionantes da história recente da Liga Inglesa. A observação faz sentido. Não apenas pelos números, mas pela capacidade do médio português em manter influência constante numa equipa que passou longe de dominar a competição.
Os prémios individuais acabaram por confirmar esse reconhecimento. Bruno Fernandes foi eleito Jogador da Temporada da Premier League, venceu o prémio de Jogador do Ano atribuído pela Associação de Jornalistas de Futebol (FWA), recebeu novamente o prémio Sir Matt Busby, foi distinguido como Jogador da Temporada do Manchester United e arrecadou ainda o prémio de Jogador do Ano do The Athletic.
É um reconhecimento merecido para um jogador que, durante anos, foi muitas vezes analisado de forma superficial, sobretudo por causa dos resultados colectivos da equipa. Esta época ajudou a corrigir essa percepção.
Porque o que Bruno Fernandes fez não foi apenas produzir grandes números. Foi sustentar uma equipa inteira através da sua criatividade, da sua capacidade competitiva e da sua influência constante no jogo.
E há um detalhe importante no meio de tudo isto: o Manchester United continua longe de ser a equipa que já foi. Continua à procura de estabilidade, de liderança e de um rumo claro para o futuro. Mas, mesmo no período mais confuso da era pós-Alex Ferguson, houve sempre alguém capaz de manter um nível competitivo de elite. Esse jogador foi Bruno Fernandes.





