Caça à multa? – Quando nos vendem a ideia de que a inteligência artificial e as câmaras topo de gama servem para melhorar a segurança e a circulação rodoviária, o resultado prático costuma deixar um valente amargo de boca. A intenção é quase sempre encher o bolso.
Caso não saibas, a Polícia Municipal de Lisboa começou a utilizar um novo veículo equipado com um sistema de câmaras capaz de registar uns impressionantes 40 incumprimentos em apenas 3 minutos. O carro passa em marcha lenta, capta as imagens para servirem de prova e a multa é emitida de forma 100% automática.

Antes de mais nada, vale a pena dizer que tecnologia funciona e é eficiente. O verdadeiro problema é o que acontece logo a seguir (ou melhor, o que não acontece). A viatura da polícia faz o seu trabalho fotográfico, continua a marcha e segue viagem, não fazendo absolutamente nada no local e no momento para retirar o carro que está a cometer a infração. Quem está a infringir continua exatamente no mesmo sítio a bloquear o trânsito ou a passagem.
Ou seja, a prioridade máxima aqui é faturar e penalizar quem estacionou mal, mas ignora-se por completo quem está a ser prejudicado por esse comportamento na via pública.
De facto, como os agentes não saem do carro, não chamam o reboque e nem sequer deixam o clássico papel da multa no para-brisas. O condutor infrator nem faz ideia do que aconteceu e o obstáculo permanece ali por tempo indeterminado.
Em suma, quando a tecnologia é usada desta forma, sem qualquer ação humana para repor a ordem e a segurança no momento… Desmascara-se o verdadeiro propósito do investimento. Isto é, única e exclusivamente, um sistema automatizado de caça à multa e nada mais do que isso.
Fonte: Zero Zero



