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China fez um supercomputador com a Huawei e sem placas gráficas

Resumo

A China surpreendeu o mundo ao construir o supercomputador LineShine, o mais poderoso do planeta, utilizando apenas processadores da Huawei, ultrapassando os supercomputadores dos EUA. Com um desempenho de 2,198 Exaflops, o LineShine é o primeiro a quebrar a barreira dos 2 Exaflops, destacando-se pela sua arquitetura baseada em CPUs. Esta conquista desafia a dependência ocidental de GPUs e acelera a corrida tecnológica entre os EUA e a China. Enquanto o LineShine brilha em simulações científicas e modelação climática, revela-se menos eficaz em testes de Inteligência Artificial. A China demonstra assim a sua capacidade de inovar e de se tornar autossuficiente em tecnologia, desafiando o domínio ocidental. A questão que se coloca é se os EUA conseguirão responder a este avanço tecnológico chinês.

A febre da guerra tecnológica entre os Estados Unidos e a China continua a subir de tom neste ano de 2026, e a verdade nua e crua é que as sanções norte-americanas começam a perder muito do seu impacto. Ou seja, Washington tem passado os últimos anos a tentar asfixiar o acesso de Pequim aos chips gráficos (GPUs) mais avançados do mercado para travar o avanço do país. O resultado? A China decidiu que não precisa deles para nada e acabou de construir o supercomputador mais poderoso do planeta usando apenas processadores tradicionais (CPUs) da Huawei.

Isto é interessante, porque a Huawei nem sequer tem acesso às tecnologias mais poderosas de produção.

O anúncio foi feito durante a conferência ISC 2026, na Alemanha, com a revelação da 67.ª edição do TOP500, o ranking que mede o poder bruto destas máquinas divinas. Sem que nada o previsse, um monstro chinês chamado LineShine estreou-se diretamente no primeiro lugar da tabela, destronando o El Capitan dos EUA e tornando-se oficialmente a máquina mais rápida do mundo.

Portanto, para os mais geeks, os números deste bicho são de perder a cabeça. O LineShine, instalado no Centro Nacional de Supercomputação em Shenzhen, registou uns inacreditáveis 2,198 Exaflops de desempenho sustentado. Isto significa que esta máquina consegue realizar mais de dois quintiliões de cálculos por segundo, sendo o primeiro sistema na história da humanidade a quebrar a barreira dos 2 Exaflops.

Mas o verdadeiro milagre da engenharia está na sua arquitetura.

Ou seja, enquanto os grandes supercomputadores americanos, como o El Capitan, o Frontier ou o Aurora, dependem fortemente de aceleradores gráficos e GPUs da AMD ou Intel para processar dados à velocidade da luz, a China apostou tudo num design composto 100% por CPUs.

A máquina corre o sistema operativo Kylin OS (uma distribuição Linux chinesa) e junta quase 14 milhões de núcleos de processamento divididos por processadores customizados “LX2”, desenvolvidos pela Huawei com base na arquitetura Armv9. Cada chip destes traz uns absurdos 304 núcleos acoplados a memória de alta largura de banda (HBM).

Desde 2023 que a China tinha deixado de submeter os seus supercomputadores para os testes do TOP500. Preferindo manter as suas armas secretas escondidas devido às crescentes tensões políticas com os EUA.

Dito tudo isto, o aparecimento do LineShine em primeiro lugar é uma mensagem política claríssima enviada a Washington. As sanções falharam. A China conseguiu criar uma infraestrutura de computação de topo recorrendo apenas a soluções desenvolvidas dentro das suas próprias fronteiras. Ou seja, sem depender de cadeias de abastecimento estrangeiras.

Embora os especialistas alertem que o design focado apenas em CPUs deixa o LineShine um passo atrás nos testes específicos de Inteligência Artificial. O seu poder para simulações científicas complexas, engenharia e modelação climática é inquestionável e não tem rival à face da Terra.

No fim do dia, fica provado que o protecionismo e as barreiras comerciais muitas vezes só servem para obrigar a concorrência a isolar-se. Ou melhor, a criar soluções ainda mais surpreendentes. Ou seja, a China foi capaz de enredar por outro caminho, ao mesmo tempo que aprendeu muita coisa útil para o futuro.

Entretanto, tu por aí, achas que os EUA vão conseguir dar a volta a esta reviravolta chinesa? Ou a Huawei acabou de provar que o império das GPUs ocidentais está sob ameaça?

 

Fonte: Zero Zero

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