Se achavas que o teu navegador recebia atualizações a mais, prepara-te. A Google está a ponderar acelerar o ritmo de lançamentos do Chrome para duas vezes por semana. A razão? A inteligência artificial começou a varrer o código do navegador e a encontrar tantos buracos de segurança que a empresa já não consegue acompanhar o ritmo com o calendário tradicional.
Nas recentes versões Chrome 149 e 150, a Google corrigiu uns impressionantes 1.072 bugs de segurança. Para teres uma ideia do exagero, este número ultrapassa o total de falhas corrigidas nas últimas 23 versões juntas. A IA conseguiu inclusive encontrar uma vulnerabilidade crítica que estava escondida no código do Chrome há 13 anos e que permitia saltar as proteções da caixa de areia (sandbox) para aceder a ficheiros locais.

Portanto, se a Google usa modelos avançados para detetar falhas a uma velocidade industrial, os atacantes têm acesso exatamente às mesmas ferramentas para encontrar vulnerabilidades antes de elas serem corrigidas. O problema é que, sendo o Chrome um projeto de código aberto, no momento em que a Google envia a correção para o repositório público… Os cibercriminosos conseguem fazer engenharia inversa para criar explorações quase instantâneas.
Daí a urgência em reduzir a chamada janela de exposição (patch gap). Atualizar o browser duas vezes por semana parece a solução lógica no papel, mas esbarra no maior obstáculo de todos: o próprio utilizador.
O Chrome descarrega as atualizações em segundo plano, mas precisa que feches e reabras o navegador para aplicar os patches. E de facto, a maioria das pessoas passa dias ou semanas com dezenas de separadores abertos sem nunca reiniciar a aplicação. Tu sabes que és uma dessas pessoas.
Para tentar contornar a preguiça dos utilizadores, a Google começou a testar no macOS uma função chamada “reinício de janela zero” no Chrome 150. Quando fechas todas as janelas mas manténs a aplicação aberta em segundo plano, o browser aproveita para reiniciar sozinho e aplicar as correções sem chatear ninguém.
A meta final é o chamado “patching dinâmico”, uma tecnologia que promete aplicar correções de segurança em tempo real aos processos do navegador em segundo plano. Isto sem exigir qualquer reinício.
Entretanto, enquanto isso não chega ao mercado, a realidade é simples: vamos passar a ver notificações de atualização com ainda mais frequência.
Será isso bom? Ou mau? Ou apenas irritante?
Fonte: Zero Zero





