InícioInternacionalComandante alemão alerta que Rússia poderá levar ameaça nuclear para o espaço

Comandante alemão alerta que Rússia poderá levar ameaça nuclear para o espaço

Resumo

O comandante do Comando Espacial das Forças Armadas alemãs admitiu a possibilidade de a Rússia estar a desenvolver tecnologia para colocar ogivas nucleares em órbita, o que poderia ter graves consequências para as infraestruturas espaciais. Uma explosão nuclear no espaço poderia afetar satélites de comunicações, navegação, operações bancárias, transportes e missões militares, aumentando o risco de colisões em cadeia. A Alemanha procura reforçar a segurança espacial, defendendo uma capacidade de dissuasão robusta e planeando adquirir sistemas não cinéticos, como interferência eletrónica e lasers, além de desenvolver aviões espaciais para proteger satélites e monitorizar sistemas adversários. O país prepara ainda uma constelação de comunicações militares por satélite, SATCOMBw 4, e pretende envolver parceiros europeus no projeto.

O comandante do Comando Espacial das Forças Armadas alemãs admitiu que não pode excluir a possibilidade de a Rússia estar a desenvolver tecnologia para colocar uma ogiva nuclear em órbita, um cenário que poderia ter consequências graves para as infraestruturas espaciais.

Numa entrevista ao POLITICO durante o salão aeronáutico ILA, em Berlim, o major-general Michael Traut afirmou existir a suspeita de que Moscovo possa estar a trabalhar em sistemas capazes de posicionar um dispositivo nuclear explosivo no espaço. Questionado sobre a plausibilidade dessa hipótese, respondeu que "não a pode excluir".

De acordo com este comandante, uma explosão nuclear em órbita não teria os mesmos efeitos visíveis de um ataque convencional na Terra, mas poderia afetar gravemente os satélites utilizados para comunicações, navegação, operações bancárias, transportes, previsões meteorológicas e missões militares.

Recorrendo ao exemplo do teste nuclear norte-americano Starfish Prime, realizado em 1962, o responsável afirmou ao POLITICO que, se um acontecimento semelhante ocorresse atualmente, "até um terço de todos os satélites em órbita terrestre baixa" poderia deixar de funcionar nas semanas e meses seguintes.

O comandante advertiu ainda que uma situação desse género agravaria o problema dos detritos espaciais e aumentaria o risco de colisões em cadeia, fenómeno conhecido como efeito Kessler. "É até concebível que determinadas altitudes orbitais deixem de poder ser utilizadas durante décadas", afirmou ao POLITICO.

As declarações surgem numa altura em que a Alemanha procura reforçar o papel do espaço na sua estratégia de defesa. De resto, a nova estratégia alemã de segurança espacial estabelece que a Bundeswehr deve ser capaz não apenas de proteger o acesso alemão e aliado ao espaço, mas também de limitar a capacidade de utilização desse domínio por parte de potenciais adversários.

Traut revelou também que as ameaças no espaço se desenvolveram "massivamente" nos últimos anos, abrangendo desde interferências nos sinais GPS e ataques com lasers até ações físicas contra satélites. Como exemplo, apontou os frequentes bloqueios de GPS na região do Báltico, que afetam a aviação civil e o tráfego marítimo.

Perante este cenário, o comandante defendeu que a Alemanha deve apostar numa capacidade de dissuasão robusta. "Não se entra numa arena apenas com um escudo", afirmou ao POLITICO, acrescentando que "uma dissuasão eficaz tem sempre uma componente ativa e ofensiva". Ainda assim, sublinhou que "ofensivo não significa agressivo", defendendo que o país deve estar preparado para tomar a iniciativa em caso de conflito.

Berlim planeia adquirir sistemas não cinéticos, incluindo equipamentos de interferência eletrónica e lasers, bem como satélites de inspeção. A longo prazo, a Alemanha pretende também desenvolver aviões espaciais capazes de proteger satélites alemães, monitorizar sistemas adversários e, se necessário, atuar contra eles.

A Alemanha está igualmente a preparar uma constelação soberana de comunicações militares por satélite, designada SATCOMBw 4. Traut afirmou ao POLITICO que o projeto não deve ser visto como concorrente da constelação europeia IRIS². "Não encaramos a IRIS² como concorrência, mas como um complemento", declarou.

O objetivo, acrescentou, passa por envolver "o maior número possível de parceiros europeus", especialmente os países que não dispõem de capacidade própria para desenvolver constelações de satélites ou que optem por não o fazer.

 

Fonte: TVI


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