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Cristiano Ronaldo "não devia ser titular indiscutível da Seleção" mas Portugal "não se preparou" para jogar de outra forma

Resumo

Fernando Santos deixou Cristiano Ronaldo no banco contra a Suíça, no Mundial de 2022, levantando questões sobre a sucessão do capitão na Seleção Nacional. Com a estreia iminente no Mundial deste ano, a dúvida persiste: Cristiano Ronaldo deve ser titular? Opiniões dividem-se, com alguns a defender que Portugal não está preparado para jogar sem ele. Sofia Oliveira, da CNN Portugal, considera que Ronaldo não deve ser titular indiscutível, mas reconhece a falta de preparação da equipa para essa eventualidade. A dependência tática do avançado torna a sua saída do onze uma incógnita quanto à melhoria da equipa. Diogo Luís defende a titularidade de Ronaldo no início do Mundial, mas sublinha que o rendimento deve ser o critério decisivo. João Félix é apontado como uma alternativa viável.

Quando Fernando Santos deixou Cristiano Ronaldo no banco frente à Suíça, nos oitavos de final do Mundial de 2022, parecia ter sido dado o primeiro passo para a sucessão do capitão na Seleção Nacional. Gonçalo Ramos respondeu com um hat-trick e muitos viram naquele jogo o início de uma nova era.

Quatro anos depois, e às portas da estreia na edição do Mundial deste ano frente à República Democrática do Congo, a dúvida continua a acompanhar Portugal: Cristiano Ronaldo deve ser titular? A pergunta divide opiniões e até aqueles que defendem que o capitão já não é a melhor solução para o onze admitem que a Seleção pode não estar preparada para viver sem ele. 

Sofia Oliveira é uma dessas vozes. A comentadora da CNN Portugal considera que Cristiano Ronaldo já não deveria ser um titular indiscutível, mas entende que Portugal nunca se preparou verdadeiramente para esse cenário.

"Eu já sou há um tempo da opinião de que o Ronaldo não devia ser o titular indiscutível da Seleção - nem sequer o principal titular naquela posição -, mas também sou da opinião de que a Seleção não se preparou para jogar sem ele", afirma.

Ao longo dos últimos anos, explica, a equipa habituou-se a jogar em função do avançado. Os cruzamentos para a área, a necessidade de fazer chegar a bola ao capitão e as dinâmicas criadas em torno do jogador fazem com que a sua saída do onze não seja, necessariamente, uma garantia de melhoria. 

"Retirar uma peça que é uma peça dura para dinâmicas já trabalhadas, não sei se isso melhoria automaticamente a Seleção porque eu acho que para tudo tem de existir um método", argumenta. 

É por isso que Sofia Oliveira admite que, nesta altura, a alternativa pode ser mais difícil do que parece: "Entre jogar o Ronaldo a titular, ou jogar alguém cujas dinâmicas e cuja parte técnico-tática não estão propriamente treinadas, não sei sinceramente o que seria melhor."

Também Diogo Luís acredita que Ronaldo deve ser titular no Mundial - pelo menos "no primeiro jogo".

Não tanto pelo momento - uma vez que acha que o capitão "não está em grande forma" -, mas porque o selecionador nacional construiu a equipa com o capitão em campo e, por isso, faz sentido manter a fórmula no arranque da competição.

"O Roberto Martínez esteve a trabalhar sempre com ele. Ele jogou sempre todos os jogos. Então, eu acredito que vai jogar pelo mesmo onze", explica.

Ainda assim, considera que o "estatuto" não pode proteger ninguém. 

"Se não estiver a render, deve ser substituído como todos os outros. Se tiver o rendimento que teve nos últimos dois jogos, é sair logo o mais cedo possível e dar oportunidade a outro", defende. "O Ronaldo tem de perceber quem é que ele é neste momento. E as pessoas que o gerem também têm de ter essa noção".

Caso seja necessário procurar alternativas, João Félix é a solução que "mais agrada" a Sofia Oliveira. Desde logo, por ser "um jogador com recursos muito interessantes ao nível da finalização".

"De todos os jogadores do meio-campo para a frente da Seleção, é o jogador que tem a relação com a baliza mais apurada, não só pela facilidade que tem em armar o remate, mas também pela qualidade técnica que utiliza para tirar os jogadores da frente e tentar a meia distância", argumenta.

Outra hipótese é Gonçalo Ramos, um jogador que, considera, "quando é chamado acaba por deixar sempre uma boa imagem". O campeão da Champions League acrescentaria, no seu ponto de vista, intensidade na pressão, além de "maior disponibilidade defensiva".

"Não se poupa tanto a recuperar bolas mais adiantadas como o Cristiano e isso poderia levar a Seleção a criar situações de golo", explica.

No entanto, também Gonçalo Ramos chega, no seu entendimento, longe de um contexto ideal. Entre PSG e Seleção "não estará a ser muito estimulado para ser titular", considera a comentadora da CNN Portugal, que sublinha a importância da confiança no rendimento de qualquer jogador.

Já que "Paulinho infelizmente não foi convocado", Diogo Luís aponta Gonçalo Guedes como uma solução "mais móvel", devido à sua "capacidade de romper".

E, tal como Sofia Oliveira, também acredita que Ronaldo poderá ser mais útil noutras circunstâncias:

"Eu acho que ele era muito mais importante e mais útil a entrar no jogo e abanar com o estádio e com os adversários desgastados, mas aceito que no primeiro jogo jogue. Vamos ver no que dá."

Fonte: CNN Portugal

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