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Cuba volta a ficar às escuras: segundo apagão nacional em menos de 24 horas

A rede nacional de energia de Cuba registou esta segunda-feira um novo apagão nacional, o segundo em menos de 24 horas e o sétimo a afetar toda a ilha este ano.

A empresa estatal Unión Eléctrica (UNE) informou nas redes sociais que a nova falha ocorreu na segunda-feira à tarde, durante o processo de restabelecimento, devido a "eventos meteorológicos" que provocaram danos na rede elétrica, o que incidiu "diretamente nas unidades geradoras que se encontravam em linha", as quais saíram de serviço.

"Continuamos a trabalhar intensamente para reverter esta situação e alcançar o restabelecimento do sistema o mais rapidamente possível", acrescentou a mensagem da empresa, afeta ao Ministério de Energia e Minas (Minem).

Às 22:43 locais de domingo (03:43 em Lisboa), tinha ocorrido uma desconexão total do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN), segundo reportou a empresa elétrica, que indicou de seguida que já tinham sido iniciadas as tarefas de recuperação.

Ao meio-dia de segunda-feira, a empresa estatal de enrgia tinha indicado que tinha restabelecido a eletricidade em 29 circuitos de distribuição em Havana que prestam serviço a 87.480 clientes, o equivalente a 14,27% da cidade, e também em 19 hospitais, entre outros serviços vitais como o abastecimento de água.

A este respeito, o diretor do centro nacional de distribuição da UNE, Félix Estrada, explicou à televisão estatal que, no momento desta última falha, estavam prestes a sincronizar no SEN várias centrais térmicas, sendo que atualmente foi retomado o processo gradual estabelecido para restaurar o serviço.

De acordo com situações semelhantes anteriores, o restabelecimento da rede é um procedimento lento e moroso que pode demorar 24 horas ou mais, pois pressupõe começar a gerar energia com as fontes de arranque simples (solar, hidroelétrica, motores de geração) para ir alimentando pequenas áreas que depois se vão interligando.

O objetivo deste processo é levar o mais rapidamente possível energia suficiente às centrais termoelétricas — o pilar da geração elétrica em Cuba —, para que estas possam voltar a operar e a produzir energia em grandes quantidades para satisfazer a procura.

Em março, a ilha sofreu dois apagões nacionais por uma desconexão total do SEN em menos de uma semana, e em julho somaram-se outros três em apenas oito dias.

Cada falha nacional nestes últimos meses deixou sem corrente a maioria dos nove milhões de habitantes da ilha.

A crise energética cubana deve-se à capacidade reduzida de produção elétrica do país e à pressão norte-americana, que não permite que a ilha importe crude ou derivados, quando necessita de adquirir no exterior cerca de metade das suas necessidades energéticas.

O Governo cubano reconhece que a situação da rede energética da ilha é "aguda", "crítica" e "extremamente tensa", marcada tanto pelo bloqueio petrolífero norte-americano como por um sistema energético profundamente obsoleto.

Segundo várias estimativas, a ilha caribenha necessita de mais de 100.000 barris de petróleo por dia para satisfazer as necessidades energéticas, dos quais a ilha obtém cerca de 40.000 com a produção nacional. O restante teria de o obter no exterior.

O último petroleiro a chegar a Cuba com crude do exterior foi o russo Anatoli Kolodkin, um navio sancionado pelos Estados Unidos que entrou na baía de Matanzas a 31 de março com cerca de 730.000 barris de petróleo, montante que apenas bastou para cobrir a procura energética da ilha durante duas semanas de abril.

A situação energética em Cuba paralisou quase totalmente a economia estatal, estimando-se que esta venha a contrair pelo menos 6,5% este ano, após uma queda acumulada de mais de 15% nos cinco anos anteriores.

 

Fonte: TVI

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