InícioDesportoELEIÇÃO DE DEMBÉLÉ COMO MELHOR JOGADOR GERA DEBATE E LEVANTA DÚVIDAS

ELEIÇÃO DE DEMBÉLÉ COMO MELHOR JOGADOR GERA DEBATE E LEVANTA DÚVIDAS

Resumo

O prémio de Melhor Jogador da Ligue 1 atribuído a Ousmane Dembélé gerou controvérsia, uma vez que, apesar dos seus 10 golos e 7 assistências, jogou apenas 960 minutos, levantando questões sobre os critérios de eleição. Comparativamente, Mason Greenwood, do Marselha, e Endrick, do Lyon, apresentaram números mais consistentes e impactantes ao longo da temporada, mas a notoriedade do PSG parece ter influenciado a decisão. A escolha de Dembélé reflete a tendência atual do futebol em premiar a popularidade em detrimento da consistência e do desempenho, minando a credibilidade da competição. A crítica de Jamie Carragher sublinha a transformação do futebol num "concurso de popularidade", evidenciando a aceitação generalizada destas decisões absurdas.

Por: Virgilio Timana

O futebol moderno gosta de repetir que os números nunca mentem. Mas a atribuição do prémio de Melhor Jogador da Ligue 1 a Ousmane Dembélé prova exactamente o contrário: os números podem ser ignorados quando a narrativa certa entra em campo.

Porque é impossível olhar para esta decisão sem fazer uma pergunta simples: o que é, afinal, necessário para ser eleito o melhor jogador de um campeonato?

Dembélé terminou a temporada com 10 golos e 7 assistências. Bons números? Sem dúvida. Extraordinários? Nem por isso. O verdadeiro choque aparece quando se analisa o contexto: apenas 960 minutos jogados, nove jogos como titular e um único encontro completo de 90 minutos durante toda a época. Uma média de 48 minutos por partida. Menos tempo em campo do que muitos suplentes habituais da Ligue 1. E mesmo assim venceu.

A questão que se coloca é a seguinte: venceu exactamente o quê?

Enquanto isso, Mason Greenwood carregou o ataque do Marselha durante meses, terminando com 16 golos e 6 assistências em 31 jogos. Regularidade. Impacto contínuo. Responsabilidade competitiva. Semana após semana.

Endrick, no Lyon, apresentou números igualmente relevantes apesar de ter chegado apenas em janeiro. Mesmo com menos tempo de adaptação, conseguiu somar golos, assistências e minutos superiores aos de Dembélé. E. Lepaul, melhor marcador do campeonato, foi ainda mais longe: 20 golos e 5 assistências em 33 partidas e quase 2800 minutos. Um jogador presente, constante e decisivo ao longo de toda a temporada. Mas nenhum deles tinha a camisola do PSG. E talvez seja precisamente aí que termina qualquer debate honesto.

O problema desta escolha não é apenas Dembélé. O francês tem talento de sobra e ninguém discute a sua qualidade técnica. O problema é aquilo que esta decisão representa: a confirmação de que os prémios individuais deixaram de recompensar consistência para passarem a premiar notoriedade. Hoje, o futebol vende rostos antes de vender rendimento.

Se um jogador do Rennes ou do Brest apresentasse exactamente os mesmos números de Dembélé, alguém acredita seriamente que estaria sequer nomeado? Claro que não. O peso mediático do Paris Saint-Germain completamente a percepção pública e institucional da Ligue 1. O campeonato francês parece cada vez mais funcionar como uma plataforma promocional do PSG do que como uma competição verdadeiramente equilibrada. E isso destrói credibilidade.

As palavras de Jamie Carragher resumem bem o sentimento geral. O antigo defesa do Liverpool criticou duramente a escolha e questionou como alguém pode ser eleito o melhor jogador da temporada depois de ter sido titular em apenas nove jogos. Carragher foi ainda mais longe ao afirmar que este tipo de decisões transforma o futebol num “concurso de popularidade” em vez de uma avaliação séria de desempenho. E custa discordar.

Porque o mais grave não é Dembélé ganhar. O mais grave é a naturalidade com que o futebol aceita este tipo de absurdo. Hoje, a narrativa pesa mais do que o rendimento. O marketing vale mais do que a regularidade. O impacto mediático supera o mérito competitivo.

A Ligue 1 já luta há anos contra a imagem de campeonato desequilibrado e excessivamente dependente do PSG. Esta decisão apenas reforça essa ideia. Quando um jogador com menos de mil minutos é eleito o melhor da época acima de atletas que competiram intensamente de agosto a maio, a mensagem enviada ao resto da Europa é devastadora: o critério parece ter perdido consistência. Não é por acaso que, depois, muitos questionam porque razão tantos prémios já não são levados tão a sério.

O futebol europeu atravessa uma transformação perigosa. Os galardões individuais, que deveriam celebrar excelência competitiva, tornaram-se instrumentos de construção de marca. Já não vence necessariamente quem joga melhor. Vence quem gera mais cliques, mais camisolas vendidas, mais manchetes e mais atenção global.

A verdade é dura, mas difícil de ignorar: se o mérito deixar de estar no centro do futebol, os prémios individuais acabam inevitavelmente por perder a pouca credibilidade que ainda lhes resta.

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