Resumo
A Eni está a considerar desenvolver uma terceira plataforma flutuante de gás natural liquefeito (FLNG) na Bacia do Rovuma, em Moçambique, para expandir a sua presença offshore. Com reservas promissoras, a Eni vê potencial para novos projetos de produção e exportação de gás. O Coral Sul FLNG já em operação é referido como exemplo de sucesso da tecnologia FLNG. Enquanto isso, o Coral Norte FLNG, segundo projeto da Eni na região, está com mais de 50% de execução e prevê iniciar a produção em 2028. A entrada de uma terceira plataforma reforçaria a importância da Bacia do Rovuma no mercado global de gás natural, contribuindo para a transformação económica de Moçambique através de exportações e receitas fiscais.
Segundo a publicação, a Eni considera que as reservas existentes na Bacia do Rovuma permitem não apenas consolidar os projectos actualmente em curso, mas também abrir espaço para novos desenvolvimentos de produção e exportação de gás natural liquefeito.
“Neste contexto, a Eni está, neste momento, a avaliar a possibilidade de avançar com um terceiro projecto com base na tecnologia FLNG, cujo sucesso ficou comprovado com o projecto Coral Sul FLNG”, referiu a fonte citada pelo Notícias.
Coral Sul Consolida Modelo Offshore Da Eni
A possibilidade de um terceiro projecto surge numa altura em que a Eni procura consolidar o modelo de exploração offshore através de plataformas flutuantes de liquefacção de gás natural.
O Coral Sul FLNG, actualmente em operação, tornou-se o primeiro projecto de gás natural liquefeito produzido offshore em África, posicionando Moçambique entre os exportadores globais de LNG.
O projecto passou a ser frequentemente apresentado pela empresa como prova de viabilidade operacional e financeira da tecnologia FLNG no contexto moçambicano.
Durante a sua recente passagem por Maputo, a directora-geral da Eni, Marica Calabrese, afirmou que o Coral Sul “consolidou-se como um marco da indústria mundial de gás natural liquefeito”. Segundo a responsável, o projecto colocou Moçambique entre os principais produtores globais de LNG.
Coral Norte Avança E Já Supera 50% De Execução
Ao mesmo tempo, a Eni continua a avançar com o Coral Norte FLNG, segundo projecto offshore da empresa na Bacia do Rovuma.
De acordo com informações avançadas pelo Notícias, o projecto alcançou a Decisão Final de Investimento (FID) em Outubro de 2025 e realizou, em Janeiro de 2026, a cerimónia de lançamento do casco na Coreia do Sul — um dos marcos críticos da fase de construção.
Actualmente, o nível de execução do Coral Norte já ultrapassa os 50%, com as actividades a decorrerem de acordo com o cronograma previsto.
Segundo Marica Calabrese, este ritmo de execução permite manter a expectativa de início da produção em 2028.
Rovuma Consolida-se Como Pólo Estratégico Global De LNG
A eventual entrada de uma terceira plataforma reforçaria ainda mais a centralidade estratégica da Bacia do Rovuma no mapa energético internacional.
As descobertas de gás natural em Cabo Delgado continuam entre as maiores realizadas nas últimas décadas a nível global, numa altura em que o gás natural assume crescente importância como combustível de transição energética.
Além da dimensão energética, os projectos de LNG continuam a ser vistos como uma potencial plataforma de transformação económica para Moçambique, sobretudo através da geração de exportações, receitas fiscais, entrada de divisas, desenvolvimento de infra-estruturas, fortalecimento do conteúdo local e dinamização dos sectores logístico e industrial.
Contudo, especialistas continuam a alertar para a necessidade de maior integração entre os grandes projectos extractivos e a economia doméstica, de forma a evitar modelos de enclave pouco conectados ao tecido produtivo nacional.
Médio Oriente Ainda Não Impactou Operações
Questionada sobre os impactos da guerra no Médio Oriente — particularmente sobre o Estreito de Ormuz — Marica Calabrese afirmou que, até ao momento, o Coral Norte não registou impactos operacionais relevantes decorrentes da actual situação geopolítica.
“A cadeia de abastecimento mantém-se estável e as actividades estão a decorrer de acordo com o calendário estabelecido”, afirmou a responsável, citada pelo Notícias.
A observação surge numa altura em que os mercados internacionais acompanham com preocupação os potenciais efeitos da escalada envolvendo Irão, Estados Unidos e Israel sobre energia, transporte marítimo e cadeias globais de abastecimento.
Expansão Offshore Reforça Competição Global No LNG
A estratégia da Eni reflecte igualmente a crescente competição global pelo mercado de gás natural liquefeito.
Com a procura europeia ainda influenciada pela reorganização energética pós-guerra da Ucrânia e a Ásia a manter forte consumo de LNG, Moçambique continua a ser visto como uma das novas fronteiras energéticas mais relevantes do mundo.
A eventual terceira plataforma FLNG poderá reforçar a posição do país como fornecedor estratégico de energia para os mercados internacionais nas próximas décadas.
Fonte: O Económico






