Resumo
No Haiti, a crise humanitária agrava-se devido à violência armada, incerteza política, pressão económica e restrições à mobilidade humanitária, com 5,8 milhões de pessoas em risco de insegurança alimentar. Confrontos entre gangues resultaram na morte de pelo menos 390 pessoas em Cité Soleil e Croix-des-Bouquets, com violência sexual e incêndios a afetar serviços essenciais. Cerca de 60 mil pessoas estão privadas de assistência humanitária devido a bloqueios. Projeções indicam que mais de 4 milhões estão em crise alimentar e 1,8 milhão em emergência. A violência armada em Porto Príncipe agrava a emergência alimentar para 900 mil habitantes. Mais de 10 mil pessoas foram deslocadas em maio, pressionando os serviços de saúde. Apesar das limitações, o WFP ajudou mais de 118 mil pessoas em março, incluindo intervenções nutricionais. O acesso a serviços essenciais em Porto Príncipe permanece restrito devido à insegurança.
O relatório de abril do Programa Alimentar Mundial, WFP, destaca que 5,8 milhões de pessoas enfrentam o risco de insegurança alimentar aguda em todo o país.
Confrontos entre gangues
Responsáveis da ONU pelos direitos humanos no Haiti verificaram que, entre 6 de março e 16 de maio, os confrontos entre gangues provocaram a morte de pelo menos 390 pessoas em Cité Soleil e Croix-des-Bouquets.
Os representantes documentaram que várias pessoas foram atingidas dentro das suas casas ou enquanto fugiam. Já outras foram deliberadamente visadas por suspeita de colaboração com fações rivais.
A violência sexual também terá sido utilizada como forma de punição, e pelo menos 87 habitações e edifícios públicos foram incendiados, comprometendo o funcionamento de serviços de saúde, educação e comércio.
O WFP estima ainda que os bloqueios à mobilidade impostos por estes grupos armados privam cerca de 60 mil pessoas de assistência humanitária em todo o país.
Apesar da insegurança e das limitações de acesso, em março, o WFP forneceu assistência alimentar e nutricional de emergência a mais de 118 mil pessoas no Haiti
Níveis críticos de insegurança alimentar
As projeções para o período entre março e junho de 2026, do Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC, indicam que mais de 4 milhões de pessoas estão em situação de crise, ou fase 3. Outro 1,8 milhão de haitianos vive em emergência, ou fase 4.
Já a ONU alertou para o agravamento da violência armada na área metropolitana de Porto Príncipe e a deterioração da emergência alimentar que afeta aproximadamente 900 mil habitantes.
Apesar de uma ligeira melhoria face ao pico registado em 2025, nas sete regiões em estado de emergência, os efeitos da insegurança e da subida dos preços dos combustíveis podem facilmente reverter esta tendência.
Os fatores que podem ditar a situação incluem o aumento dos custos de transporte de bens e pessoas, sublinha o WFP.
Número de deslocados excede expectativas
A Organização Internacional para as Migrações, OIM, revelou que mais de 10 mil pessoas foram deslocadas entre os dias 10 e 15 de maio, quase duplicando as estimativas iniciais de 5,3 mil pessoas.
A agência da ONU indica que mais de 70% dos deslocados estão atualmente abrigados em 20 locais, incluindo cinco recentemente criados, enquanto outros estão instalados em comunidades já sobrecarregadas.
Por sua vez, o aumento dos deslocamentos exerce uma pressão adicional sobre os já limitados serviços de saúde. Na área de Porto Príncipe, apenas 11% das unidades de internamento permanecem totalmente operacionais.
Gangues controlam a maior parte da capital haitiana, Porto Príncipe
Ajuda humanitária enfrenta limitações
Apesar da insegurança e das limitações de acesso, em março, o WFP forneceu assistência alimentar e nutricional de emergência a mais de 118 mil pessoas.
Adicionalmente, as intervenções nutricionais de prevenção e tratamento alcançaram mais de 22 mil pessoas, incluindo crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas e lactantes.
Estas atividades de prevenção foram integradas na resposta de emergência, direcionada a famílias classificadas na fase 4 do IPC e a deslocados internos.
No entanto, o acesso a serviços essenciais permanece limitado em partes de Porto Príncipe devido à insegurança, alerta a agência das Nações Unidas.
Fonte: ONU






