InícioRevistaTecnologiaEspecialistas alertam: inseticidas que usas podem já não matar as baratas

Especialistas alertam: inseticidas que usas podem já não matar as baratas

Resumo

Especialistas confirmam que as baratas estão a tornar-se resistentes aos inseticidas, com dois tipos de resistência: genética e comportamental. As baratas adaptaram-se ao longo das gerações, tornando os venenos tradicionais menos eficazes. Além disso, aprenderam a evitar armadilhas, mudando de comportamento. Apesar de a indústria criar novos métodos, as baratas continuam a adaptar-se. A erradicação total é considerada impossível, sendo necessário negociar e manter as populações em níveis toleráveis. O aumento das temperaturas favorece a proliferação das baratas, especialmente nas cidades, onde podem transmitir bactérias e agravar problemas de saúde. Especialistas recomendam agir preventivamente, pois as baratas levam milhões de anos a adaptar-se e não desaparecerão em breve.

Com a chegada do calor, regressa também uma das visitas menos desejadas do verão: as baratas. E não é impressão tua todos os anos parecem ser mais e mais difíceis de eliminar. Agora, os especialistas confirmam: estes insetos estão mesmo a ficar resistentes aos inseticidas. E há quem fale numa verdadeira “corrida ao armamento” entre nós e elas. Então o que fazer quando os inseticidas podem já não matar as baratas.

Quem o explica é Andreu García, biólogo e especialista em controlo de pragas, numa conversa de rádio ao lado do entomólogo Xavier Bellés, investigador do Instituto de Biologia Evolutiva. A frase de Bellés é direta: a resistência das baratas aos inseticidas é uma evidência comprovada.

E aqui está a parte que assusta: não se trata só de um tipo de resistência. São dois.

O primeiro tipo é o que já se imagina: resistência genética, em que os inseticidas simplesmente já não as matam. As baratas foram-se adaptando ao longo de gerações e os venenos tradicionais perderam eficácia.

Mas o segundo tipo é mais surpreendente: a resistência comportamental. Por outras palavras, as baratas estão literalmente a mudar de comportamento para escapar. García dá um exemplo concreto: há iscos que antes elas comiam e que agora certas baratas deixaram de consumir. Aprenderam a evitar a armadilha.

Para os especialistas, a situação parece uma corrida sem fim entre as novas ferramentas que a indústria inventa e a capacidade de adaptação destes insetos. À medida que o ser humano cria novos métodos, as baratas desenvolvem mecanismos para os contrariar.

E a conclusão é quase desconcertante. García acredita que o setor ainda tem recursos para controlar as populações, mas admite uma derrota: a erradicação total é impossível. Nas suas palavras, vamos tendo de “negociar com as baratas” e manter as populações em níveis toleráveis. Ou seja: matar todas, nem pensar.

Há uma razão clara para haver cada vez mais baratas: o aumento das temperaturas. Segundo Bellés, o calor acelera os ciclos biológicos e reprodutivos destes insetos. Quanto mais quente está (sem chegar a extremos), melhor para elas.

Por isso é que as populações disparam nos meses quentes e, sobretudo, nas cidades. Algumas espécies já aprenderam a aproveitar as estruturas criadas pelos humanos para prosperar, quanto mais gente acumulada num sítio, mais problemas de pragas costuma haver.

As baratas podem transportar bactérias no exterior do corpo, sobretudo nas patas, e depositá-las em superfícies ou alimentos. Vários estudos ligam-nas à transmissão mecânica de agentes como a Salmonella ou a E. coli. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde, os alergénios destes insetos podem agravar sintomas de asma e alergias, especialmente nas cidades.

Ainda assim, Bellés acredita que o maior problema é outro: mais do que um risco grave para a saúde, as baratas geram sobretudo uma sensação de sujidade, falta de higiene e repulsa.

Há um mito que circula há anos: o de que pisar uma barata espalha os ovos, que ficariam colados à sola do sapato. García é claro, é falso. A espécie mais comum nas cidades não costuma transportar os ovos dessa forma e, mesmo que os levasse, eles também seriam destruídos ao esmagar o inseto. Portanto, podes esmagar à vontade.

A melhor estratégia é agir antes de elas aparecerem. Os especialistas recomendam:

No fundo, a mensagem dos especialistas é simples e um bocado humilhante para nós: as baratas levam milhões de anos a adaptar-se a tudo o que o planeta lhes atira. Um spray de inseticida não vai ser o que as vai derrotar. Por agora, não há sinais de que vão desaparecer, o melhor é mesmo aprender a mantê-las à porta.

 

Fonte: Zero Zero

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

- Advertisment -spot_img