A Organização de Energia Atómica do Irão afirmou este domingo que os Estados Unidos atingiram, durante a madrugada, o local onde está a ser construída a central nuclear de Darkhovin, no sul do país, perto da fronteira com o Iraque.
Segundo as autoridades iranianas, os ataques atingiram o estaleiro do projeto nuclear. Não foram divulgadas informações sobre eventuais vítimas, danos ou riscos radiológicos.
Os trabalhos de preparação do terreno começaram em dezembro de 2022, embora, segundo a Associação Nuclear Mundial, a construção da central ainda não tivesse arrancado oficialmente em março.
O projeto de Darkhovin remonta ao período anterior à Revolução Iraniana de 1979. As primeiras obras começaram na década de 1970, com investimento francês, mas foram interrompidas depois da revolução e da retirada de França.
Na década de 1990, chegaram a ser acordados novos investimentos chineses, mas também acabaram por ser retirados antes de a construção poder ser retomada, segundo a associação que representa a indústria nuclear mundial.
Horas depois do ataque norte-americano, as sirenes de alerta soaram na Jordânia. O exército israelita anunciou que o Irão tinha lançado mísseis na direção de Aqaba, cidade portuária no sul do país, próxima das fronteiras com Israel e a Arábia Saudita.
Testemunhas em Aqaba relataram várias explosões, mas não é ainda claro se os estrondos corresponderam à interceção dos mísseis ou ao impacto de projéteis. As autoridades jordanas não divulgaram, para já, informações sobre vítimas ou danos.
Antes do lançamento dos mísseis, o Governo da Jordânia tinha negado que o aeroporto internacional e o porto de Aqaba tivessem sido evacuados. A Embaixada dos Estados Unidos no país tinha, porém, anunciado a retirada de pessoas daqueles locais devido a uma ameaça considerada “específica e credível”.
A Jordânia tornou-se, nos últimos dias, um dos principais alvos dos ataques iranianos contra posições norte-americanas na região. Dois soldados dos Estados Unidos morreram e outros 30 ficaram feridos na sequência de ataques sucessivos contra uma base norte-americana instalada no país.
Também o Kuwait voltou a ser atingido. Uma central de produção de eletricidade e dessalinização de água foi atacada pelo Irão pela segunda vez em dois dias, segundo o Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis do país.
O ministério classificou o ataque como “hediondo” e afirmou que o incêndio provocado atingiu um “grande número de unidades de produção de eletricidade”, obrigando à ativação de planos de emergência para garantir a estabilidade do sistema da central.
No ataque anterior, o fogo tinha afetado apenas um dos componentes da infraestrutura. As autoridades kuwaitianas indicaram ainda que outra central de produção de eletricidade e dessalinização tinha sido atingida na sexta-feira, ficando várias unidades danificadas.
Estas infraestruturas são particularmente importantes no Kuwait, onde a dessalinização assegura cerca de 90% das necessidades de água doce. Os ataques aumentam, por isso, os receios de perturbações no abastecimento de eletricidade e água, numa altura de temperaturas elevadas.
O Kuwait tem sido um dos países mais atingidos desde a retoma das hostilidades entre Teerão e Washington, numa escalada que já ultrapassou as bases militares norte-americanas e atingiu infraestruturas civis consideradas essenciais.
A sucessão de ataques e contra-ataques mostra que o conflito deixou de estar limitado ao território iraniano. Projetos nucleares, instalações militares, aeroportos, portos, centrais elétricas e unidades de dessalinização estão agora no centro de uma guerra que ameaça envolver diretamente um número crescente de países do Médio Oriente.
Fonte: TVI






