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Escalões da água: porque é que gastar um pouco mais faz a fatura disparar

Já reparaste que, às vezes, um mês em que gastaste “só um bocadinho mais” de água se traduz numa fatura bem mais pesada do que esperavas? Não é impressão tua nem erro da empresa. É a forma como a água é cobrada em Portugal, por escalões, que faz com que cada litro a mais possa custar-te desproporcionalmente caro. Vale a pena perceberes o mecanismo dos escalões da água, porque muda a forma como olhas para a torneira.

Ao contrário do que muita gente pensa, a água não é cobrada a um preço único por metro cúbico. O tarifário está dividido em escalões de consumo: quanto mais água gastas, mais caro fica o preço de cada metro cúbico à medida que subes de escalão.

A conta da água a disparar no verão: onde se gasta mais e como travar

A lógica é ambiental, penalizar o desperdício e premiar quem poupa. Os primeiros metros cúbicos, considerados essenciais, são baratos. Mas, a partir de certos patamares, o preço por metro cúbico sobe de forma acentuada. Por isso é que uma família que gasta muito não paga só “proporcionalmente mais”: paga a um preço unitário mais alto na parte que ultrapassa os escalões mais baixos.

Aqui está o efeito que apanha as pessoas de surpresa. Quando o teu consumo empurra uma parte da água para um escalão superior, esses metros cúbicos extra são cobrados ao preço mais caro da tabela. Um aumento modesto no consumo pode, assim, ter um impacto na fatura muito maior do que a percentagem de água que gastaste a mais.

E há um multiplicador que quase ninguém tem em conta: em muitos municípios, as tarifas de saneamento e de resíduos (o esgoto e o lixo) estão indexadas ao teu consumo de água. Ou seja, quando gastas mais água, não sobe só a conta da água , sobem também estas componentes que vêm agarradas a ela. É por isso que a fatura final “dispara”.

Convém saberes ainda que a fatura da água não é só o que gastas. Há uma componente fixa, muitas vezes chamada tarifa de disponibilidade, que pagas todos os meses só por teres o serviço disponível, independentemente de abrires ou não a torneira. Some-se a isto o saneamento e os resíduos, e percebes porque é que mesmo um consumo baixo já traz uma fatura com algum peso.

verificação do contador da água

A boa notícia é que, sabendo como funciona, consegues gerir melhor:

Envia as tuas leituras com regularidade, para seres faturado pelo consumo real e não por estimativas que depois geram acertos pesados.
Vigia consumos invisíveis: um autoclismo a verter ou uma torneira a pingar podem empurrar-te para um escalão superior sem dares conta.
Concentra-te nos grandes gastos, duches, máquinas, rega, que são onde se decide em que escalão acabas o mês.
Compara as tuas faturas ao longo do ano para perceberes o teu padrão e detetares saltos anormais depressa.

No fundo, a fatura da água premia a moderação e penaliza o excesso de forma progressiva. Perceber os escalões é o primeiro passo para deixares de ter surpresas ao abrir o correio.

 

Fonte: Zero Zero

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