Maputo, 24 de Agosto (AIM) – A ExxonMobil e os seus parceiros adjudicaram cerca de 1,1 mil milhões de dólares em contratos de pré-investimento para equipamentos destinados ao projecto Rovuma LNG, em Cabo Delgado, em Mocambique.
O avanço representa um dos sinais mais claros de que o megaprojecto de gás natural liquefeito poderá finalmente avançar para a decisão final de investimento ainda este ano.
A informação consta de um comunicado divulgado hoje pela ExxonMobil que AIM teve acesso.
A gigante norte-americana está a acelerar os preparativos para a construção do projecto Rovuma LNG, reforçando as perspectivas de concretização de um dos maiores projectos de gás natural liquefeito (GNL) do país.
Segundo o comunicado da ExxonMobil, a adjudicação representa um marco significativo e demonstra o compromisso dos parceiros com o desenvolvimento do projecto, há vários anos condicionado pela instabilidade militar na província de Cabo Delgado.
O movimento surge num contexto de crescente pressão sobre os mercados internacionais de energia, agravada pelas perturbações no abastecimento provenientes do Médio Oriente. A instabilidade na região tem reforçado os argumentos a favor da diversificação das fontes mundiais de GNL e poderá favorecer projectos localizados fora do Golfo.
O Rovuma LNG esteve congelado desde 2021, quando uma ofensiva de grupos armados islamistas obrigou à suspensão das actividades na região de Palma, onde está localizado o projecto. O ataque provocou mortes e desencadeou uma crise de segurança que afectou directamente os grandes investimentos de gás em Cabo Delgado.
Segundo anota, apesar dos riscos persistirem, os promotores parecem agora determinados a preparar o terreno para uma retoma efectiva. No início deste mês, a ExxonMobil assinou igualmente um contrato não vinculativo de engenharia e aquisição com um consórcio de empreiteiros liderado pela italiana Saipem.
O custo global do Rovuma LNG está estimado em cerca de 30 mil milhões de dólares, tornando-o num dos maiores investimentos privados alguma vez projectados para Moçambique.
A ExxonMobil é a operadora do projecto, desenvolvido em parceria com a italiana Eni, a chinesa CNPC, a sul-coreana Kogas e a XRG, de Abu Dhabi.
A decisão final de investimento estava inicialmente prevista para o final de 2025, mas foi posteriormente adiada para 2026. A recente aceleração dos contratos de pré-investimento aumenta agora as expectativas de que a decisão seja tomada ainda este ano.
Depois de uma visita à província este mês, o relator especial das Nações Unidas, Ben Saul, afirmou que uma solução militar para o conflito não parece iminente, alertando ainda para o agravamento da frequência, gravidade e propagação dos ataques contra civis ao longo do último ano.
Para Alex Munton, director de gás e GNL global do Rapidan Energy Group, a situação de segurança na região continua «grave, mas controlável».
O analista considera, contudo, que o contexto internacional está a criar uma oportunidade adicional para projectos como o Rovuma LNG.
«O principal factor impulsionador neste momento é a diversificação do abastecimento, num contexto de perturbações de duração indeterminada no fornecimento de GNL proveniente do Golfo do Médio Oriente», afirmou.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irão e as perturbações no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz voltaram a colocar a segurança do abastecimento energético no centro das atenções dos mercados internacionais.
O Golfo concentra cerca de um terço do fornecimento mundial de GNL, sobretudo através do Qatar. Qualquer interrupção prolongada naquela rota poderá obrigar os grandes consumidores mundiais a procurar fontes alternativas de abastecimento.
É neste cenário que Moçambique volta a ganhar relevância. O Rovuma LNG, juntamente com outros projectos de exportação de GNL, passou a ser visto como uma possível alternativa para responder à procura crescente por fornecimentos considerados mais diversificados geograficamente.
Livia Gallarati, directora da área de gás e GNL da consultora Energy Aspects, considera que o Rovuma é um dos projectos que actualmente concentra maior atenção dos mercados.
Canadá e Estados Unidos são igualmente apontados como potenciais beneficiários desta nova procura por capacidade de produção fora do Médio Oriente.
A dimensão do Rovuma LNG ajuda a explicar o interesse internacional em torno do empreendimento. O projecto deverá atingir uma capacidade de produção de aproximadamente 18 milhões de toneladas de GNL por ano, volume semelhante ao da unidade Golden Pass, no Texas, onde a ExxonMobil iniciou a produção em Março.
A estratégia da multinacional passa, assim, por aumentar e diversificar a sua capacidade de produção em diferentes regiões do mundo. A ExxonMobil possui actualmente operações de GNL na Papua-Nova Guiné, Austrália e Qatar.
(AIM)
Paulino Checo/
Fonte: aimnews







