InícioRevistaSociedadeFAMOD e Governo defendem transformação digital inclusiva para pessoas com deficiência

FAMOD e Governo defendem transformação digital inclusiva para pessoas com deficiência

Maputo, 9 de Julho (AIM) – O Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD) e o Governo defenderam, hoje, em Maputo, a necessidade de assegurar que o processo de transformação digital em curso no país decorra de forma inclusiva, garantindo às pessoas com deficiência igualdade de acesso às tecnologias, à informação e aos serviços digitais.

A posição foi manifestada durante a Conferência sobre Deficiência e Transformação Digital, realizada sob o lema “Direitos, Inclusão Digital e Acessibilidade na Era da Inteligência Artificial”, que reuniu representantes do Governo, organizações da sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para debater os desafios e as oportunidades da inclusão digital.

Na ocasião, foram apresentados dados que revelam os persistentes desafios do país no domínio da conectividade. Embora Moçambique conte actualmente com cerca de 19,1 milhões de ligações móveis activas e 7,12 milhões de utilizadores da Internet, cerca de 80,2 por cento da população continua sem acesso à rede, agravando as desigualdades no acesso às tecnologias digitais.

O director executivo do FAMOD, Clodoaldo Castellano, defendeu que as pessoas com deficiência devem deixar de ser vistas apenas como beneficiárias da transformação digital, passando a assumir um papel activo na concepção, desenvolvimento e implementação das novas tecnologias.

“Queremos que as pessoas com deficiência sejam agentes da transformação digital, inovadores, decisores e participantes no processo de concepção das tecnologias”, afirmou.

Segundo explicou, muitos serviços públicos e plataformas digitais continuam a ser desenvolvidos sem atender às necessidades específicas deste grupo social, criando barreiras no acesso à informação, à educação, ao emprego, à conectividade e a outros serviços essenciais.

Castellano chamou igualmente a atenção para a situação das mulheres com deficiência, que enfrentam obstáculos acrescidos no acesso à Internet, computadores e outros dispositivos tecnológicos. Na sua opinião, este cenário exige uma resposta articulada entre o Governo, as empresas de telecomunicações e os restantes intervenientes do sector.

Por seu turno, o presidente do FAMOD, Zeca José Chaúque, advertiu que a transformação digital poderá transformar-se num novo factor de exclusão social caso as políticas públicas não integrem, desde a sua concepção, princípios de acessibilidade e respeito pelos direitos das pessoas com deficiência.

Defendeu, por isso, que os investimentos em digitalização e inteligência artificial contemplem financiamento para tecnologias assistivas, programas de capacitação e a participação efectiva das organizações representativas das pessoas com deficiência.

“O fosso digital manifesta-se através de dispositivos caros, dados móveis inacessíveis, plataformas sem acessibilidade, conteúdos sem formatos alternativos e baixos níveis de literacia digital”, sublinhou.

Em representação do Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muxanga, a Inspectora-Geral do Ministério, Igna Maculi, reafirmou o compromisso do Governo com uma transformação digital inclusiva, considerando que a modernização tecnológica deve constituir uma oportunidade para reduzir desigualdades históricas e promover maior justiça social.

“A transformação digital não deve ser vista apenas como um processo tecnológico, mas como uma oportunidade estratégica para corrigir desigualdades e promover a inclusão de todos os cidadãos”, afirmou.

Segundo a responsável, o Executivo está a implementar instrumentos estruturantes, entre os quais a Estratégia Nacional de Transformação Digital e a Estratégia Nacional de Inclusão Digital, visando alargar o acesso às tecnologias da informação, com especial atenção aos grupos em situação de maior vulnerabilidade.

Igna Maculi defendeu ainda que todas as soluções digitais devem obedecer aos princípios do desenho universal, assegurando que qualquer cidadão possa aceder, utilizar e beneficiar dos serviços digitais, independentemente das suas limitações físicas, sensoriais ou cognitivas.

A conferência deverá produzir um conjunto de recomendações destinadas a apoiar a construção de um ecossistema digital mais inclusivo em Moçambique, no qual as pessoas com deficiência sejam reconhecidas não apenas como utilizadoras das tecnologias, mas também como protagonistas da inovação e do desenvolvimento digital.
(AIM)
Laura Tembe/

 

Fonte: aimnews

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