Maputo, 04 Agosto (AIM) – Sector privado moçambicano reforçou a sua ofensiva económica junto do mercado norte-americano com a realização do Fórum de Negócios EUA–Moçambique, uma iniciativa que juntou empresários, investidores e instituições dos dois países para consolidar uma parceria estratégica orientada para o aumento do investimento, do comércio e da cooperação empresarial.
Promovido pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), em parceria com a Câmara de Comércio Texas–África (TXACC), a Embaixada de Moçambique nos Estados Unidos da América e a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), o encontro decorreu em Houston, no âmbito da Missão Empresarial aos Estados Unidos, e serviu de plataforma para identificar novas oportunidades de negócios em sectores considerados estratégicos para a economia moçambicana.
Na abertura do Fórum, o Embaixador de Moçambique nos Estados Unidos, Alfredo Nuvunga, apontou Houston como um exemplo de desenvolvimento impulsionado pela inovação, por políticas públicas consistentes e pelo investimento privado, defendendo que Moçambique reúne condições para seguir um percurso semelhante.
O diplomata destacou a localização estratégica do País no Oceano Índico, a abundância de recursos naturais, o elevado potencial energético, os minerais críticos, as extensas terras agrícolas e uma população maioritariamente jovem como factores diferenciadores para os investidores internacionais.
“O compromisso é transformar estes activos em industrialização, criação de emprego e prosperidade partilhada”, afirmou.
Em representação do sector privado moçambicano, o Vice-Presidente da CTA, Onório Manuel, sublinhou que a missão empresarial ultrapassa a simples procura de financiamento, constituindo uma aposta na construção de alianças estratégicas capazes de impulsionar as indústrias do futuro.
Segundo Onório Manuel, Moçambique oferece vantagens competitivas relevantes, nomeadamente através dos corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala, que asseguram ligação privilegiada aos mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
“Investir em Moçambique significa participar na construção de uma economia mais industrializada e integrada”, defendeu.
No domínio energético, destacou o actual ciclo de grandes investimentos, com particular enfoque nos projectos de Gás Natural Liquefeito, incluindo o Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil. Para o dirigente da CTA, o sector energético deve funcionar como motor da industrialização, promovendo cadeias de valor nacionais, maior conteúdo local e uma participação mais robusta das empresas moçambicanas.
Na ocasião, convidou os investidores norte-americanos a visitarem Moçambique, reafirmando a disponibilidade da CTA para apoiar todas as iniciativas empresariais que pretendam estabelecer-se no País.
O Presidente da Câmara de Comércio Texas–África, Romuald Louyindoula Mayamona, considerou que o Fórum representa a continuidade do trabalho iniciado durante a visita do Presidente da República, Daniel Chapo, a Houston, em 2025, elogiando a capacidade da CTA em transformar essa visão política numa agenda concreta de promoção económica.
Para Mayamona, o desafio passa agora por converter intenções em investimentos efectivos e parcerias duradouras. Citando um provérbio bantu do Congo — “Uma única pulseira não faz barulho” — defendeu que o progresso depende da cooperação e apelou à construção de uma verdadeira “ponte de prosperidade” entre o Texas e Moçambique.
Durante o encontro, a APIEX apresentou o quadro legal aplicável ao investimento estrangeiro em Moçambique e destacou oportunidades em áreas como energia, gás natural, mineração, agro-indústria, infra-estruturas, logística, indústria transformadora, tecnologia, turismo e desenvolvimento de fornecedores locais.
Refira-se que, mais de 30 empresários moçambicanos participam, entre 3 e 7 de Agosto, na Missão Empresarial aos Estados Unidos, com actividades em Houston e Washington D.C., numa iniciativa organizada pela CTA para fortalecer a presença do sector privado nacional junto dos principais operadores internacionais da indústria de petróleo e gás.
A missão pretende identificar oportunidades de investimento, promover parcerias empresariais, facilitar a transferência de conhecimento e acelerar a integração das empresas moçambicanas nas cadeias globais de valor do sector energético.
O programa inclui mesas-redondas de negócios, encontros bilaterais com potenciais parceiros e visitas técnicas a algumas das maiores empresas da indústria energética norte-americana.
Entre os momentos mais relevantes destaca-se a deslocação ao Campus da ExxonMobil, em Houston, onde a delegação procura aprofundar o conhecimento sobre as operações da multinacional, identificar oportunidades ligadas ao conteúdo local e reforçar a cooperação institucional no âmbito dos projectos de Gás Natural Liquefeito em Moçambique.
A agenda contempla igualmente uma visita à Halliburton, uma das maiores empresas mundiais de serviços para a indústria petrolífera, com o objectivo de conhecer soluções tecnológicas para exploração, perfuração e produção, identificar oportunidades de fornecimento para os projectos de gás em Moçambique e promover parcerias orientadas para a capacitação e transferência de tecnologia para as empresas nacionais.
(AIM)
Fonte: aimnews



