InícioRevistaEconomiaFórum Global De Redução Da Pobreza 2026: Moçambique Defende Apoio Às PME’s...

Fórum Global De Redução Da Pobreza 2026: Moçambique Defende Apoio Às PME’s E Industrialização Como Caminho Para Reduzir Pobreza E Gerar Emprego

Resumo

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Salim Cripton Valá, destacou a importância da transformação estrutural da economia, do fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas e do processamento local das matérias-primas para a redução da pobreza no país, durante o Fórum Global de Redução da Pobreza e Desenvolvimento 2026 em Beijing, na China. Salim Valá enfatizou a necessidade de crescimento económico inclusivo, investimento produtivo e criação de oportunidades económicas sustentáveis para erradicar a pobreza. Ele também realçou a cooperação entre Moçambique e a China como um exemplo de como a cooperação internacional pode acelerar o desenvolvimento inclusivo e sustentável. Apesar do agravamento da pobreza monetária entre 2014 e 2022, houve melhorias na pobreza multidimensional e na desigualdade social, com um milhão de pessoas saindo da pobreza nas zonas rurais. A resposta do Governo baseia-se na Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 e no Programa Quinquenal do Governo 2025–2029.

Questões-Chave

A redução da pobreza em Moçambique passa necessariamente pela transformação estrutural da economia, pelo fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas e pelo processamento local das matérias-primas. Esta foi a principal mensagem transmitida pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, durante a sua intervenção no Fórum Global de Redução da Pobreza e Desenvolvimento 2026, realizado em Beijing, na República Popular da China.

O governante apresentou a visão do país para enfrentar um dos desafios mais persistentes do desenvolvimento económico, defendendo que a erradicação da pobreza exige uma combinação de crescimento económico inclusivo, investimento produtivo, fortalecimento institucional e criação de oportunidades económicas sustentáveis.

Da Cooperação Internacional À Construção De Prosperidade Partilhada

Na abertura da sua intervenção, Salim Valá enquadrou o momento no contexto do reforço das relações entre Moçambique e a China, destacando os resultados da recente visita de Estado do Presidente Daniel Francisco Chapo àquele país asiático. Segundo o Ministro, a elevação das relações bilaterais ao nível de “Comunidade de Futuro Partilhado China-Moçambique na Nova Era” constitui um exemplo de como a cooperação internacional pode contribuir para acelerar o desenvolvimento inclusivo e sustentável.

A mensagem surge num contexto em que a pobreza continua a representar um desafio global. Citando dados internacionais, o Ministro observou que cerca de 800 milhões de pessoas permanecem em situação de pobreza extrema, enquanto os países em desenvolvimento enfrentam desafios agravados por choques climáticos, instabilidade e pressões demográficas.

Entre Retrocessos Monetários E Avanços Sociais

Um dos aspectos mais relevantes da intervenção foi a apresentação de uma leitura mais detalhada da evolução dos indicadores de pobreza em Moçambique.

Segundo o governante, os dados mostram que a pobreza monetária agravou-se entre 2014 e 2022, influenciada por factores como os eventos climáticos extremos, a instabilidade associada ao terrorismo em Cabo Delgado e a volatilidade dos preços internacionais das matérias-primas.

Contudo, o quadro não é uniforme. Salim Valá destacou que a pobreza multidimensional e a desigualdade social registaram melhorias significativas durante o mesmo período, com o coeficiente de Gini a reduzir-se de 0,51 para 0,45. Além disso, cerca de um milhão de pessoas deixaram a situação de pobreza nas zonas rurais entre 2019/20 e 2022, um facto que o Governo interpreta como evidência de que determinadas políticas públicas estão a produzir resultados positivos nas dimensões não monetárias do desenvolvimento.

ENDE E PQG Como Arquitectura Da Transformação

A resposta do Executivo está ancorada na Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 (ENDE) e no Programa Quinquenal do Governo 2025–2029 (PQG), instrumentos que definem a visão de médio e longo prazo para o país.

De acordo com a intervenção, a ambição é reduzir a taxa de pobreza de consumo de 65% em 2022 para cerca de 27,9% em 2044. Para tal, o Governo projecta uma trajectória de crescimento económico inclusivo que poderá elevar o crescimento do PIB de 2,15% em 2024 para 9,2% em 2044.

O Ministro sublinhou que esta meta exige investimentos consistentes em sectores com impacto directo sobre a qualidade de vida da população, nomeadamente saúde, educação, infra-estruturas, inovação, desenvolvimento empresarial e industrialização.

PME’s E Processamento Local No Centro Da Estratégia

O núcleo da intervenção incidiu sobre o papel das PME’s como agentes de transformação económica e redução da pobreza.

Salim Valá defendeu a criação de mecanismos robustos de apoio ao empreendedorismo e ao desenvolvimento económico local, através do acesso ao financiamento, capacitação empresarial, assistência técnica e ligações aos mercados.

Paralelamente, enfatizou a necessidade de utilizar os recursos naturais como catalisadores da industrialização nacional, defendendo uma maior aposta no processamento local das matérias-primas como forma de gerar emprego, aumentar o valor acrescentado doméstico e ampliar os benefícios económicos da exploração dos recursos do país.

Nesta linha, destacou o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) como um dos instrumentos centrais da estratégia do Governo, descrevendo-o como uma ferramenta destinada a financiar, capacitar e apoiar micro e pequenas empresas em todos os distritos e municípios do país.

Segundo o Ministro, o fundo já está a permitir que jovens e mulheres participem mais activamente na criação de riqueza e na geração de rendimentos através do seu próprio trabalho.

“A Pobreza Não É Uma Fatalidade”

Na parte final da sua intervenção, Salim Valá apresentou uma das mensagens mais fortes do discurso ao afirmar que “a pobreza não é uma fatalidade, nem é desgraça divina”, defendendo que ela resulta de escolhas económicas, desigualdades estruturais e modelos de desenvolvimento que podem ser corrigidos através de políticas adequadas e cooperação internacional efectiva.

Num momento em que Moçambique procura acelerar a implementação da ENDE 2025–2044 e mobilizar investimentos para a transformação económica, a mensagem levada a Beijing procurou posicionar o país como um parceiro activo dos esforços globais de redução da pobreza, defendendo uma abordagem baseada na criação de riqueza, na valorização dos recursos nacionais e no fortalecimento das capacidades produtivas locais.

Fonte: O Económico

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Risco E Custo Do Capital Condicionam Investimento Em Novos Projectos De...

0
O custo do capital, o risco associado ao mercado e a capacidade de garantir compradores de electricidade com solidez financeira continuam entre os principais factores que condicionam o desenvolvimento de novos projectos de geração de energia em Moçambique. A avaliação é de Samir Salé, Managing Director da Globeleq Energia Moçambique, que considera que transformar uma ideia de projecto em fecho financeiro exige uma estrutura capaz de distribuir adequadamente os riscos entre investidores, Estado, comprador de energia e financiadores.
- Advertisment -spot_img