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ONU cita “vírus da indiferença” em alerta contra crise de ebola na RD Congo

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que cerca de 500 novos casos de ebola são notificados por semana na República Democrática do Congo, RD Congo, afetando de forma desproporcional mulheres e crianças.

Para o chefe das Nações Unidas, o verdadeiro obstáculo na contenção do vírus não é a falta de conhecimento médico, mas sim a perigosa falta de atenção e de recursos da comunidade internacional. Ele ressaltou que este outro “inimigo” mata tão rápido quanto a própria doença.

Cenários mais frágeis do planeta

Ao falar a jornalistas, Guterres frisou que é necessário superar outro vírus: o “vírus da indiferença”. Ele indicou que a atenção internacional, o foco político e os recursos ainda estão aquém da realidade que se desenrola no terreno.

Profissionais de saúde da OMS, usando equipamentos de proteção individual, limpam um veículo durante uma operação de resposta ao Ebola na República Democrática do Congo.

© OMS/Josua Mulala Raymond
Profissionais de saúde desinfetam um veículo durante o surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo.

O secretário-geral ressaltou que a crise sanitária ocorre num dos cenários mais frágeis do planeta. Na província de Ituri, onde décadas de conflito já deslocaram um milhão de pessoas, o acesso a cuidados de saúde e alimentação é mínimo. 

Na região oriental congolesa, os trabalhadores comunitários e as equipes médicas operam sob constante ameaça, enfrentando ataques a ambulâncias e a centros de tratamento que já custaram a vida a mais de 40 profissionais de saúde.

Outra questão é a infraestrutura precária, que, aliada ao risco contínuo de violência, torna a missão de salvar vidas um desafio diário de sobrevivência.

Reforço da vigilância epidemiológica

Para conter o avanço do vírus, a resposta liderada pelo governo da RD Congo, com o apoio da Organização Mundial da Saúde e da União Africana, foca-se em cinco pilares estratégicos.

Forças de paz uruguaias em uma aldeia rural na República Democrática do Congo, garantindo a segurança durante os esforços de resposta ao Ebola.

ONU/ Martine Perret
Forças de paz uruguaias fornecem segurança como parte da resposta à emergência do ebola na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo

O primeiro é o engajamento comunitário para combater a desinformação, seguido pelo reforço da vigilância epidemiológica, pela expansão da capacidade de tratamento, pela realização de sepultamentos dignos e seguros e pelo bloqueio da transmissão pelas rotas fluviais e fronteiriças com países vizinhos.

Guterres disse que já se sabe exatamente como conter a transmissão e salvar vidas, mas que, sem financiamento contínuo, as operações correm o risco de parar em poucas semanas.

Resposta humanitária

O financiamento atual cobre apenas metade dos US$ 2,13 bilhões necessários para sustentar a resposta humanitária na região. A janela de oportunidade para evitar uma tragédia ainda maior está a fechar-se rapidamente, destacou o líder da ONU.

António Guterres ressaltou ainda que o mundo possui a tecnologia, os meios e o conhecimento para travar a expansão do ebola, mas precisa agir agora.

Para o chefe das Nações Unidas, superar o vírus da indiferença é a única forma de garantir que a determinação coletiva chegue ao terreno antes que o custo humano e financeiro se torne irreparável.

Fonte: ONU

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