Se costumas acompanhar os meus artigos aqui na Leak sobre PC gaming e plataformas digitais, sabes perfeitamente que a indústria dos videojogos anda há mais de uma década a tentar decifrar o código sagrado do streaming de jogos. Já vimos passar pelo mercado o xCloud da Microsoft, o GeForce Now da Nvidia e o próprio Remote Play da Valve. Aliás, até vimos uma grande aposta da Google, na forma do Stadia.
No entanto, sejamos honestos! Por muito que a tecnologia tenha evoluído, jogar via streaming continua a ser uma experiência muito inferior à de correr o jogo nativamente na nossa máquina. Por isso, a Valve não atirou a toalha ao chão e acaba de lançar um trunfo na mais recente versão beta da Steam que promete dar um murro na mesa: o codec de vídeo PyroWave.
A novidade foi descoberta inicialmente nas linhas de código da aplicação e foi agora confirmada oficialmente, prometendo atacar os dois maiores demónios do streaming: a latência e a perda de qualidade de imagem.

O PyroWave é descrito pela Valve como um codificador de GPU de ultra-baixa latência baseado na API Vulkan e desenhado exclusivamente para videojogos. Ao contrário dos formatos de vídeo tradicionais que são pensados para filmes ou transmissões de TV (como o H.264 ou o AV1), este codec foi otimizado para lidar com gráficos gerados em tempo real. O grande foco aqui é aguentar larguras de banda massivas sem engasgar.
Portanto, há aqui um pormenor técnico crucial que convém esclarecer.
Para já, o PyroWave foi feito a pensar no streaming local dentro de casa, idealmente através de cabos de rede Ethernet ou ligações Wi-Fi de topo. É por isso que a Valve o está a injetar diretamente no ecossistema do Steam Link, apontando para bitrates brutais que rondam os 200 megabits por segundo. Não estamos a falar daquela compressão manhosa que costumas ver na nuvem, mas sim de um fluxo de dados massivo para garantir que a imagem não se desfaz em pixéis quando viras a câmara depressa.
Mas… Pode ser o início de algo mais a sério.

Não nos vamos fazer de anjinhos! O streaming de jogos hoje em dia está longe de ser perfeito.
Qualquer jogador mais exigente lida constantemente com artefactos na imagem, arrastamento de cores e, o pior de tudo, o terrível input lag. Ou seja, aquele atraso fatal entre o momento em que carregas no botão e a ação acontece no ecrã. Em jogos competitivos ou de ação rápida, isto torna a experiência intragável.
Dito tudo isto, embora o streaming dificilmente vá substituir o hardware local como o método principal para jogar… É excelente ver que continuam a surgir avanços reais nesta frente. A Valve percebeu que o segredo não passa apenas por ter servidores mais rápidos! Mas, sim em otimizar a forma como o sinal de vídeo acaba processado pela placa gráfica.
Aliás, ver esta tecnologia a evoluir pode ser a salvação dos “gamers”. Afinal de contas, ninguém vai a correr e aos saltos para as lojas comprar consolas de nova geração acima dos 1000€. Agora… pagar uma subscrição de 10€ ou 15€? Se calhar é mais fácil.
Fonte: Zero Zero





