O selecionador de Portugal, Jorge Jesus, falou, em entrevista transmitida pelo Canal 11 esta segunda-feira, de que chegou a ter «indicações para fazer a pré-convocatória» do Brasil quando esteve perto de assumir o comando da “canarinha” em 2025 e abordou, entre outros assuntos, do «preço» a pagar para se ganhar e do contacto que terá com os atletas:
Na apresentação, disse: «Se queres ganhar, tens de pagar o preço…»:
«O preço é deixarem de fazer o que gostam ou gostavam de fazer. Há coisas que eles, se calhar, querem ou queriam fazer, mas em relação ao que favorece e ao que é determinante para a equipa, não podem. E, portanto, vão ter de pagar o preço. O preço é igual na Seleção e num clube. A forma de pensar dos jogadores é sempre a mesma. Depois uns ficam com mais ou menos azia, mas é o mesmo.»
Também disse na apresentação que se preparou «para ser selecionador». Como é essa preparação?
«Acho que o selecionador, não trabalhando diariamente com os jogadores, tem sempre muito em que trabalhar com a sua equipa técnica. E é exatamente isso que tenho tentado fazer ao longo destes últimos dois anos, a partir do momento em que fui para a Arábia Saudita. Quando fui para lá, ia para treinar a seleção. E as coisas estavam quase definidas, mas depois o team manager do Al Hilal, que já tinha trabalhado comigo na minha primeira passagem, convidou-me. E eu fiquei um bocadinho a abanar e, a partir desse dia, comecei a preparar-me. Depois tive a hipótese de treinar a seleção do Brasil e comecei a pensar que tinha mesmo de treinar uma seleção. E a Seleção portuguesa foi a cereja em cima do bolo.»
Ainda sobre o Brasil:
«Posso confessar: acabei por não ir treinar a seleção do Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março, depois de terem perdido 4-1 com a Argentina [ndr: em 2025]. O que teria feito? O jogador brasileiro nasceu para jogar, até no campeonato do Brasil há muita qualidade. Fazia uma convocatória diferente de Ancelotti? Um ou outro jogador, sim. Acho que, neste momento, o melhor avançado do futebol brasileiro é o Pedro. Talvez esteja a ser um bocadinho tendencioso por ter sido meu jogador no Flamengo. Mas acho que, na maioria, concordava com o que ele [Ancelotti] fez. Mas depois no cunho pessoal, na forma de olhar para o jogo, de treinar. Essas é que são as diferenças.»
Se já começou a falar com atletas:
«Eles ainda devem estar de férias e, portanto, ainda não comecei. Quando for a primeira convocatória, neste caso o primeiro jogo, a 24 de setembro, quero, dentro do que é uma pré-convocatória, ter falado com a grande maioria. Não sei se vou ter tempo de falar com todos, mas com o tempo vou fazê-lo.»
Como se faz o contacto com os atletas:
«Há o contacto pessoal e o telefónico. Se o atleta estiver longe é mais difícil, mas se estiver perto vou fazer contacto pessoal. Não vou ter muito tempo até ao primeiro jogo. Tenho a vantagem de que, destes jogadores que estavam no Mundial, 12 já trabalharam comigo. Há uma ligação.»
Fonte: TVI






