A Kenmare Resources encerrou 2025 com um prejuízo líquido de cerca de 325 milhões de dólares, revertendo o lucro registado no ano anterior, num desempenho fortemente condicionado por factores extraordinários e por um contexto de mercado menos favorável.De acordo com o Relatório Anual da empresa, o resultado negativo foi largamente influenciado pelo reconhecimento de uma imparidade de aproximadamente 301 milhões de dólares, associada à revisão em baixa das expectativas de receitas futuras do projecto Moma e à incerteza em torno do enquadramento regulatório em Moçambique.Este ajustamento contabilístico acabou por eclipsar o desempenho operacional, traduzindo-se numa das maiores perdas registadas pela empresa nos últimos anos.Para além do impacto da imparidade, a Kenmare registou uma deterioração das suas receitas operacionais.Segundo o mesmo relatório, as receitas provenientes da venda de produtos minerais recuaram cerca de 20%, fixando-se em pouco mais de 312 milhões de dólares, num contexto marcado por uma redução simultânea dos volumes expedidos e dos preços médios de venda.A empresa enfrentou um mercado global adverso, caracterizado por procura moderada e aumento da oferta, em particular por parte de produtores asiáticos, o que contribuiu para a compressão das margens.O desempenho da Kenmare reflecte tendências mais amplas no mercado internacional de minerais de titânio, utilizados sobretudo nas indústrias de construção, tintas e pigmentos.Durante 2025, estes segmentos registaram sinais de abrandamento, influenciados pela desaceleração económica em várias regiões e pela persistência de condições financeiras mais restritivas.Simultaneamente, o aumento da produção em alguns mercados contribuiu para um desequilíbrio entre oferta e procura, pressionando os preços e reduzindo a rentabilidade dos produtores.Outro elemento relevante do desempenho financeiro da empresa foi o aumento expressivo do endividamento.O relatório indica que a dívida líquida subiu para cerca de 158,8 milhões de dólares no final de 2025, um aumento significativo face ao ano anterior, impulsionado pelo ciclo de investimento associado à modernização da planta WCP A.Este investimento, considerado estratégico para a continuidade das operações no médio prazo, atingiu o seu pico durante o ano, contribuindo para uma maior pressão sobre a estrutura financeira da empresa.Para além dos factores de mercado e financeiros, a Kenmare continua a enfrentar incertezas no plano regulatório.De acordo com o Relatório Anual, as negociações com o Governo de Moçambique relativas ao Acordo de Implementação do projecto Moma permanecem em curso, sendo reconhecido que eventuais alterações nos termos fiscais poderão ter impacto na liquidez e na rentabilidade futura da empresa.Este factor continua a ser apontado como um dos principais riscos para o negócio.Perante este contexto, a empresa adoptou uma abordagem mais conservadora, centrada na optimização de valor em detrimento da expansão de volumes.Esta estratégia inclui ajustamentos operacionais, controlo de custos e gestão mais rigorosa de capital, reflectindo a necessidade de adaptação a um ambiente de mercado mais exigente.O desempenho da Kenmare em 2025 pode ser interpretado como um ano de transição, marcado por ajustamentos estruturais e redefinição de expectativas.Embora a imparidade tenha sido o principal factor do prejuízo, os dados subjacentes revelam um conjunto mais amplo de desafios que incluem condições de mercado adversas, pressão sobre custos e incerteza regulatória.A evolução destes factores será determinante para a trajectória futura da empresa e para o posicionamento do projecto Moma no contexto global dos minerais de titânio.
Fonte: O Económico






