Resumo
ACLED registou 15 eventos violentos em Cabo Delgado, Moçambique, nas últimas duas semanas, com sete envolvendo extremistas do Estado Islâmico, resultando em 15 mortos. Desde 2017, já ocorreram 6.542 óbitos na região. A ACLED reporta que a insurgência armada em Cabo Delgado envolveu 2.191 eventos associados ao Estado Islâmico Moçambique, incluindo confrontos com forças moçambicanas e ruandesas, resultando na morte de sete soldados e na apreensão de armamento. Recentemente, o grupo extremista reivindicou ataques em Ancuabe, incluindo a destruição de uma igreja e casas. Os ataques têm causado deslocamentos de pessoas e ameaçam as comunidades civis e as atividades de mineração na região. O bispo de Pemba relatou que mais de 300 católicos foram mortos desde 2017, com a destruição de várias infraestruturas religiosas.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 20 de abril a 3 de maio, dos 2.371 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
No relatório é referido que o EIM, neste período, “entrou em confronto” com forças moçambicanas e ruandesas, nos distritos de Nangade e Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, “matando, pelo menos, sete soldados moçambicanos e apreendendo armamento”.
No sul da província, “um grupo de cerca de 100 combatentes ocupou dois locais de mineração artesanal de ouro”, em busca do metal precioso e de dinheiro.
“Em um dos locais, repeliram um destacamento de soldados moçambicanos antes de seguirem para o sul, onde incendiaram uma conhecida igreja católica, provocando um considerável deslocamento de pessoas. O grupo permanece na região, representando uma ameaça para as comunidades civis, bem como para as atividades de mineração artesanal e comercial”, refere a ACLED.
Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram na quinta-feira ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e cerca de 220 casas, no distrito de Ancuabe.
Na mesma reivindicação, feita através dos canais de propaganda do Estado Islâmico, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja.
Numa outra reivindicação, afirmam que elementos do grupo extremista, que atua em Cabo Delgado há mais de oito anos, “entraram em confronto com uma patrulha marítima” das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, perto da praia de Quiterajo, distrito de Macomia, “usando várias armas”.
Um grupo de supostos terroristas atacou na terça-feira a aldeia de Nacoja, o segundo em poucos dias no distrito de Ancuabe, disseram anteriormente à Lusa fontes da comunidade local. O ataque aconteceu a nove quilómetros de uma empresa de exploração mineira, o que obrigou à retirada de emergência do pessoal.
O ataque a Nacoja deu-se cinco dias após incursões dos rebeldes na aldeia de Minheuene, em Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort — construída em 1946 e símbolo da presença católica na região —, bem como dezenas de residências, raptando pelo menos 22 pessoas.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
O bispo de Pemba, em Moçambique, disse em 2 de maio à Lusa que um grupo de supostos terroristas destruiu completamente a histórica paróquia de São Luís de Monfort e raptou civis em Ancuabe em 30 de abril.
“Depois de queimarem algumas casas, maioritariamente dos cristãos católicos e outros também cristãos não católicos, depois de vandalizarem o hospital […], foram direto às infraestruturas que estão na paróquia de São Luís de Monfort de Minhoene e ali destruíram tudo. Queimaram a escola que está aí, queimaram a paróquia, a casa dos padres, a secretaria paroquial, a escolinha foi totalmente vandalizada”, descreveu António Juliasse.
O clérigo acrescentou que, pelo menos, 300 católicos foram mortos, maioritariamente por decapitação, e mais de 117 unidades da igreja destruídas, desde o início do conflito armado em 2017.
Fonte: Observador






