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Moçambique importa 600 mil toneladas de arroz e 700 mil de trigo por ano

Maputo, 09 de Agosto (AIM) – Moçambique importa anualmente cerca de 600 mil toneladas de arroz e 700 mil toneladas de trigo para responder às necessidades do mercado nacional, números que o Instituto de Cereais de Moçambique (ICM, IP) considera uma oportunidade para atrair investimentos na produção, agroprocessamento e substituição das importações.

A informação foi avançada há dias pelo Director-Geral do ICM, IP, Luís Jobe Fazenda, durante a 4.ª edição do Fórum Internacional Afro World Agri Food 2026, onde apresentou a experiência de Moçambique na gestão da importação de cereais e lançou um convite ao sector empresarial indiano para investir no agro-negócio nacional.

Segundo Fazenda, Moçambique recorre actualmente a vários mercados europeus, americanos e asiáticos, incluindo a Índia, para assegurar o abastecimento interno de arroz e trigo.

A dimensão das importações, explicou, revela igualmente o potencial existente para investimentos capazes de aumentar a produção nacional e reduzir a dependência externa.

Para o Director-Geral do ICM, os volumes importados constituem uma oportunidade concreta para investidores interessados em desenvolver cadeias de produção agrícola orientadas para o mercado nacional e, sempre que existam excedentes, para a exportação.

Fazenda defendeu o reforço do fomento agrícola de culturas como arroz e trigo, acompanhado pela instalação de unidades de agroprocessamento que permitam acrescentar valor à produção nacional.

Neste contexto, lançou um convite às empresas para investirem na instalação de fábricas de descasque de arroz, unidades de empacotamento e moinhos de trigo, aproveitando a abertura de Moçambique à entrada de novos investimentos.

A aposta, segundo o responsável, poderá permitir que parte dos produtos actualmente adquiridos no exterior passe a ser produzida e processada internamente, fortalecendo as cadeias de valor nacionais e criando novas oportunidades de negócio.

Durante a mesma sessão, Luís Fazenda convidou investidores indianos a apostarem igualmente no fomento do feijão-bóer, gergelim, soja e castanha de caju, produtos com potencial para aumentar a produção nacional e reforçar as exportações.

Segundo Fazenda, o investimento nestas cadeias, poderá contribuir para elevar as quantidades produzidas, garantir maior disponibilidade de matéria-prima para o processamento e aumentar a capacidade de Moçambique de colocar produtos nos mercados internacionais.

A Índia surge como um dos mercados de interesse, tanto pela sua participação no comércio de produtos agrícolas com Moçambique como pelo potencial de expansão das relações comerciais entre os dois países.

À margem da sessão, foram estabelecidos contactos com várias empresas ligadas à comercialização agrícola, algumas das quais manifestaram interesse em adquirir produtos moçambicanos.

Os contactos poderão abrir espaço para novas parcerias comerciais e para o estabelecimento de canais de escoamento da produção nacional, sobretudo nas cadeias de produtos com maior procura nos mercados internacionais.

(AIM)
Redacção

 

Fonte: aimnews

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