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Moçambique procura financiamento para 1.300 km de linhas de transporte de energia

Resumo

Moçambique procura financiamento para construir infraestrutura de transporte de energia com 1.300 quilómetros, visando fortalecer a rede elétrica nacional e consolidar-se como um hub energético na África Austral. O Presidente da Sociedade Nacional de Transporte de Energia destaca a evolução do setor nos últimos 20 anos, com investimentos internacionais que resultaram numa rede de transporte de energia de nove mil quilómetros. No entanto, enfrentam-se novos desafios, como a necessidade de mobilizar financiamento para expandir a rede e responder ao aumento da procura energética. O objetivo é tornar Moçambique um centro regional de energia até 2030, garantir acesso universal à eletricidade e afirmar-se nos mercados energéticos da região, exigindo uma mudança de paradigma nos investimentos e no posicionamento estratégico do setor.

Maputo, 28 Mai (AIM) – Moçambique está à procura de financiamento para viabilizar a construção de infra-estrutura de transporte de energia com cerca de 1.300 quilómetros de extensão, para reforçar a integração da rede eléctrica nacional, aumentar a capacidade de evacuação de energia e consolidar a posição do país como um importante hub energético da África Austral.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Nacional de Transporte de Energia (STE), Pedro Nguelume, num debate sobre reformas no sector, destacando a necessidade de mobilização de recursos para garantir a concretização dos objectivos definidos para o sector energético nacional.

“Não podemos falar do sistema de transporte de energia sem recordar o percurso que o país trilhou. Partimos de uma situação em que Moçambique estava isolado do financiamento internacional, dependente de múltiplas centrais a diesel e sem um sistema estruturado de transporte de energia. Vinte anos depois, alcançámos uma nova realidade, com cerca de seis mil quilómetros de linhas de transporte, construídas numa fase em que o financiamento era predominantemente assegurado através de donativos”, afirmou.

Actualmente, a rede nacional de transporte de energia conta com aproximadamente nove mil quilómetros de linhas, resultado de investimentos apoiados por parceiros internacionais, incluindo os países nórdicos, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento.

Apesar dos avanços registados, Nguelume reconheceu que o sector enfrenta novos desafios, sobretudo ao nível da mobilização de financiamento para sustentar a expansão da rede e responder ao crescimento da procura energética.

“Temos de encontrar soluções inovadoras e envolver todos os intervenientes relevantes, incluindo o Governo, o sector bancário e os investidores interessados, para que o país possa alcançar os seus objectivos de desenvolvimento energético a médio e longo prazos”, sublinhou.

Entre as prioridades estratégicas do sector está a ambição de transformar Moçambique num centro regional de produção e comercialização de energia até 2030, assegurar o acesso universal à electricidade e afirmar-se como um actor relevante nos mercados energéticos da região.

O dirigente questionou se o país está devidamente preparado para responder às exigências desta nova fase de desenvolvimento e destacou a necessidade de uma mudança de paradigma na forma como são estruturados os investimentos e o posicionamento estratégico do sector.

Segundo a fonte, no âmbito do plano de expansão da rede de transporte, a primeira fase do projecto da STE já se encontra concluída e em operação desde 2024, tendo representado um investimento de cerca de 500 milhões de dólares norte-americanos.

Segundo Nguelume, apenas entre 25 e 30 por cento do financiamento desta fase foi obtido através de mecanismos concessionais, sendo a maior parte assegurada por donativos internacionais, factor que contribuiu para a sustentabilidade financeira do sector.

“Trabalhamos para garantir que a energia chegue a todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade financeira. Esse continua a ser um dos maiores desafios do sector: identificar fontes de financiamento sustentáveis para suportar os investimentos necessários”, afirmou.

De acordo com o PCA da STE, a segunda fase do projecto prevê a conclusão do fecho financeiro até 2028, com o objectivo de assegurar o equilíbrio económico da infra-estrutura ao longo do seu ciclo de vida, estimado em 25 anos, permitindo a geração de receitas e a replicação de futuros investimentos.

Numa terceira etapa, a expansão da rede deverá alcançar o empreendimento hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, considerado um dos projectos estruturantes para elevar o sector energético nacional a um novo patamar de desenvolvimento.

Nguelume destacou ainda o elevado potencial energético de Moçambique e as oportunidades existentes nos mercados regionais. Como exemplo, referiu o défice energético da África do Sul, estimado entre oito e dez gigawatts, bem como a procura crescente registada em países vizinhos como o Zimbabwe, a Zâmbia e a Tanzânia.

Actualmente, a taxa de acesso à energia eléctrica em Moçambique situa-se em cerca de 64 por cento, permanecendo a expansão da rede de transporte como um dos principais instrumentos para acelerar a electrificação nacional e potenciar a integração do país nos mercados energéticos da região.
(AIM)
MR/pc

 

Fonte: aimnews

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