Resumo
A população local do distrito de Macomia, em Cabo Delgado, Moçambique, está preocupada com a circulação de supostos terroristas em zonas agrícolas, colocando em risco as colheitas e aumentando o medo de fome nas comunidades. Os produtores temem a perda de culturas devido à presença dos terroristas, que já provocaram deslocamentos de pessoas na região. A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques extremistas ligados ao Estado Islâmico há oito anos, com um total de 6.542 óbitos desde 2017. Recentemente, houve 15 eventos violentos em Cabo Delgado, sete envolvendo extremistas do Estado Islâmico, resultando em 15 mortos. Os terroristas têm atacado comunidades, igrejas e locais de mineração, representando uma ameaça constante para a população civil e as atividades económicas na região.
Esta movimentação, por zonas agrícolas de Litandacua, Novo Cabo Delgado e Chitoio, verifica-se desde o início de maio, numa altura em que já decorre a segunda época de cultivo, nas margens do rio messalo.
“A produção está em risco porque os terroristas estão a circular nas zonas onde estamos a fazer machambas (campos de produção)”, disse uma fonte a partir de Macomia.
A situação está a desesperar os produtores, que temem a perda de culturas e consequentemente a eclosão de fome nas comunidades.
“É uma situação que está realmente a preocupar-nos, em Litandadua, Novo Cabo Delgado e Chitoio, porque a fome pode-nos afetar” disse outra fonte, já a partir de Macomia.
Não há registo de mortes entre os campestres, mas o medo de possíveis ataques está a desesperar os produtores, com alguns a saírem da zona.
“Ninguém morreu, mas esses homens são perigosos e não dá para conviver com eles”, relatou a fonte.
Os ataques recentes em Macomia começaram em Nkoé e depois Nguida, ambas comunidades na região central de Cabo Delgado.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 15 eventos violentos nas duas últimas semanas em Cabo Delgado, sete envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 15 mortos, elevando o total para 6.542 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da ACLED, com dados de 20 de abril a 3 de maio, dos 2.371 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
No relatório é referido que o EIM, neste período, “entrou em confronto” com forças moçambicanas e ruandesas, nos distritos de Nangade e Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, “matando, pelo menos, sete soldados moçambicanos e apreendendo armamento”.
No sul da província, “um grupo de cerca de 100 combatentes ocupou dois locais de mineração artesanal de ouro”, em busca do metal precioso e de dinheiro.
“Em um dos locais, repeliram um destacamento de soldados moçambicanos antes de seguirem para o sul, onde incendiaram uma conhecida igreja católica, provocando um considerável deslocamento de pessoas. O grupo permanece na região, representando uma ameaça para as comunidades civis, bem como para as atividades de mineração artesanal e comercial”, refere a ACLED.
Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram na quinta-feira ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e cerca de 220 casas, no distrito de Ancuabe.
Na mesma reivindicação, feita através dos canais de propaganda do Estado Islâmico, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja.
Numa outra reivindicação, afirmam que elementos do grupo extremista, que atua em Cabo Delgado há mais de oito anos, “entraram em confronto com uma patrulha marítima” das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, perto da praia de Quiterajo, distrito de Macomia, “usando várias armas”.
Fonte: Observador






