Há um aparelho em tua casa que nunca descansa, nem de noite nem quando vais de férias: o frigorífico. É por isso que ele costuma estar entre os maiores responsáveis pela fatura de eletricidade de uma casa portuguesa. E é também por isso que, no verão, quando a temperatura ambiente sobe e a porta é aberta vinte vezes por dia, o consumo pode disparar de forma que nem imaginas. A boa notícia é que a maior parte dos erros que fazem o frigorífico e a arca gastarem mais não custam nada a corrigir.
Este é o erro mais frequente e o mais caro. Uma panela ainda quente colocada lá dentro obriga o compressor a trabalhar durante muito tempo para repor a temperatura, aquece os alimentos que estão à volta e cria condensação, que por sua vez gera gelo. Deixa a comida arrefecer à temperatura ambiente antes de a guardar mas sem ultrapassar o limite de segurança alimentar, dividindo em recipientes mais pequenos para arrefecer depressa.

O frigorífico funciona retirando calor de dentro e libertando-o pela grelha traseira. Se essa grelha estiver encostada à parede ou entalada entre móveis, o calor não se dissipa e o aparelho tem de trabalhar mais para o mesmo resultado. Deixa alguns centímetros livres atrás e em cima, e certifica-te de que o ar circula.
Pelo mesmo motivo, colocá-lo ao lado do forno, da máquina de lavar loiça ou numa parede exposta ao sol é pedir consumo extra. Numa despensa ou garagem sem ventilação, no verão, o problema agrava-se bastante.
Esta é silenciosa e passa despercebida durante anos. Com o tempo, a borracha endurece, fissura ou perde forma, e o frigorífico passa a ter uma fuga permanente de ar frio.

Há um teste que demora dez segundos: fecha a porta com uma folha de papel entalada e tenta puxá-la. Se sair sem resistência nenhuma, a vedação está comprometida naquele ponto. Repete em vários sítios à volta da porta. Substituir a borracha custa pouco e resolve.
Numa arca ou congelador sem sistema automático de descongelação, o gelo acumula-se e funciona como isolante, obrigando o aparelho a gastar mais para arrefecer. Uma camada com poucos milímetros já tem efeito. Descongelar quando o gelo começa a ser visível é das intervenções com melhor retorno.
Há ainda o inverso, que muitos desconhecem: uma arca meio vazia gasta mais do que uma arca cheia, porque o ar frio escapa mais facilmente e há menos massa fria a manter a temperatura. Se não tens comida suficiente, garrafas de água ajudam a preencher o espaço.
Pôr o termóstato no máximo não conserva melhor os alimentos, gasta apenas mais. O frigorífico deve andar por volta dos 4 graus e o congelador nos 18 negativos. Vale a pena confirmar com um termómetro, porque os botões numerados da maioria dos aparelhos não correspondem a temperaturas reais.

Se vais estar fora várias semanas, esvazia o frigorífico do que é perecível e considera desligá-lo, deixando a porta entreaberta para evitar cheiros e bolores. Um frigorífico praticamente vazio a trabalhar durante três semanas é das despesas mais inúteis que podes ter e uma das mais fáceis de evitar antes de fechar a porta de casa.
Fonte: Zero Zero




