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Ataques e violência sexual restringem acesso de mulheres à água segura no Sudão

A ameaça persistente de ataques com drones e de violência sexual deixa milhares de mulheres e meninas sem qualquer segurança para recolher água durante a época das chuvas em El Obeid, no Sudão.

Segundo a ONU Mulheres, o acesso a alimentos, cuidados de saúde e outros serviços essenciais está também severamente limitado, particularmente nos locais dedicados ao acolhimento de deslocados. 

Violência sexual usada como arma

A agência recolheu relatos de mulheres e meninas em El Obeid que, devido a ataques com drones contra fontes de água e pontos de distribuição durante o dia, são forçadas a esperar até depois do anoitecer para buscar água.

Já durante a noite ou madrugada, elas têm enfrentado assédio, violação e outras formas de abusos sexuais, utilizados sistematicamente como arma por ambas as partes beligerantes ao longo dos três anos de conflito no Sudão.

Desde o início do conflito, o número de mulheres e meninas que necessitam de serviços relacionados com a violência de género quadruplicou, atingindo uma estimativa de 12,7 milhões em 2026.

Uma mulher vende tomates em um abrigo improvisado iluminado por energia solar em um campo de deslocados internos no Sudão.

Pnud/Giles Clarke
Uma mulher vende verduras em um acampamento para pessoas deslocadas em Kassala, Sudão

Mulheres enfrentam fome e doença

Com a aproximação do pico da época das chuvas em agosto, o acesso seguro à água potável é fundamental para reduzir o risco de infeção por doenças mortais transmitidas pela água.

Já são pelo menos 1.330 casos de cólera reportados pela Organização Mundial da Saúde, OMS, desde o início de julho.

A combinação de desnutrição com a falta de acesso a cuidados de saúde constitui uma preocupação persistente entre as mulheres e meninas sudanesas, expostas ao risco acrescido de doença grave e morte.

Cortes no financiamento limitam ação de ONGs

No Sudão, as organizações lideradas por mulheres constituem a espinha dorsal da resposta humanitária no país, garantindo apoio a mulheres e meninas em comunidades mais remotas.

No entanto, os seus serviços têm sido profundamente afetados por cortes orçamentais. Sem apoio financeiro urgente, muitas destas ONGs preveem suspender as suas operações ou encerrar totalmente no próximo ano.

A ONU Mulheres lembra que o aumento do investimento em organizações lideradas por mulheres é essencial, uma vez que estas continuam a ser uma das últimas linhas de apoio para mulheres e meninas em todo o Sudão.

A entidade para a igualdade de género e o empoderamento das mulheres apela ainda ao acesso humanitário seguro e sem entraves, à proteção das mulheres e à sua inclusão nos processos de paz.

Fonte: ONU

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