Resumo
A crescente militarização da Europa está a impulsionar fabricantes automóveis como a Renault e a Mercedes-Benz a reforçar a sua presença no setor da defesa. Com o aumento dos gastos em defesa devido à guerra na Ucrânia e à necessidade de reforçar as capacidades militares europeias, as empresas procuram novas fontes de receita. A Renault está a regressar ao setor da defesa com a produção de drones militares, enquanto a Mercedes-Benz expande as suas atividades na área, incluindo o desenvolvimento de sistemas móveis de defesa contra drones. Empresas de defesa estão a colaborar com fabricantes automóveis para aproveitar capacidade industrial excedentária. A aproximação entre os setores automóvel e militar poderá intensificar-se, à medida que a Europa investe mais em segurança.
A crescente militarização da Europa está a criar oportunidades inesperadas para alguns dos maiores fabricantes automóveis do continente. Renault e Mercedes aproximam-se de novo do segmento militar.
Perante o aumento dos gastos em defesa, impulsionado pela guerra na Ucrânia e pela necessidade de reforçar capacidades militares europeias, grupos como a Renault e a Mercedes-Benz estão a reforçar a sua presença no setor da defesa.
Apesar de o , o movimento surge numa altura em que a indústria automóvel europeia enfrenta fortes desafios, desde a concorrência chinesa à desaceleração das vendas de veículos elétricos, levando muitas empresas a procurar novas fontes de receita.
A Renault está a regressar gradualmente ao setor da defesa, mais de duas décadas depois de ter vendido a sua divisão de veículos militares. A fabricante francesa entrou recentemente na produção de drones militares através de uma parceria com a empresa francesa Turgis Gaillard.
O objetivo passa por fabricar o drone Chorus numa unidade instalada em Le Mans.
Segundo informações conhecidas esta semana, a Renault pretende limitar a atividade relacionada com defesa a cerca de 5% das suas receitas totais, procurando manter a identidade de fabricante automóvel civil enquanto explora novas oportunidades de negócio.
A empresa está também a analisar projetos ligados a drones terrestres em colaboração com a , antiga Renault Trucks Defense, atualmente pertencente ao grupo belga John Cockerill.
Do lado alemão, a Mercedes-Benz também começa a olhar para o setor militar com maior interesse. O diretor executivo da marca, Ola Källenius, afirmou recentemente que não exclui uma expansão das atividades da empresa na área da defesa, considerando que a Europa necessita de reforçar as suas capacidades militares.
A Mercedes já possui alguma experiência neste segmento através das versões militares do Classe G e dos veículos Sprinter adaptados para utilização militar e proteção civil. Contudo, o fabricante pretende agora ir mais longe.
Um dos exemplos mais recentes é a parceria anunciada com a startup alemã Tytan Technologies para desenvolver sistemas móveis de defesa contra drones. O projeto utiliza veículos Mercedes como plataforma para sistemas de deteção e neutralização de aeronaves não tripuladas.
A aproximação entre os setores automóvel e militar não acontece apenas por iniciativa das marcas. Empresas de defesa procuram cada vez mais aproveitar fábricas automóveis com capacidade disponível para responder ao aumento das encomendas militares.
A alemã , um dos maiores fabricantes de armamento da Europa, está a converter parte das suas operações industriais para produção exclusivamente militar e tem analisado oportunidades de colaboração com fabricantes automóveis.
Também a KNDS, responsável por vários programas de blindados europeus, confirmou conversações com empresas do setor automóvel para utilizar capacidade industrial excedentária, incluindo contactos com a Mercedes-Benz.
Analistas consideram que esta aproximação entre automóveis e defesa poderá intensificar-se nos próximos anos. O aumento dos investimentos militares por parte da União Europeia e dos países da NATO está a criar um mercado em forte expansão, precisamente quando muitas fábricas automóveis operam abaixo da sua capacidade máxima.
Ainda assim, especialistas alertam que a produção militar dificilmente substituirá totalmente o volume de negócio do setor automóvel tradicional. Os ciclos de produção, as exigências regulatórias e as quantidades fabricadas são bastante diferentes.
O que parece cada vez mais evidente é que as fronteiras entre a indústria automóvel e a indústria da defesa estão a tornar-se menos definidas, numa Europa que se prepara para investir milhares de milhões de euros no reforço da sua segurança.
Fonte: Pplware
Descubra mais de Revista Tempo
Inscrever-se para receber as últimas mensagens enviadas para o seu e-mail.






