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Seguro aproveita primeiro 10 de Junho como Presidente para avisar Governo e deixar mensagem aos aliados: Portugal é um povo "resiliente perante as tempestades"

Resumo

O Presidente da República, António José Seguro, aproveitou o Dia de Portugal para alertar o Governo sobre questões como salários, habitação e visão estratégica, apelando contra a polarização política e enviando mensagens aos aliados internacionais. Seguro destacou a dificuldade em reter talento qualificado em Portugal devido a baixos salários e à crise habitacional, defendendo políticas para fixar talento, salários justos e acesso à habitação para os jovens. Além disso, apelou à coragem de fazer escolhas difíceis, sem ceder ao populismo, e defendeu a importância de uma política de compromisso e tolerância. O Presidente também abordou a relação entre a defesa europeia e a aliança transatlântica, defendendo a autonomia estratégica europeia como complemento à defesa transatlântica, sublinhando a importância da cooperação com os aliados para a segurança europeia.

António José Seguro escolheu o primeiro Dia de Portugal enquanto Presidente da República para fazer mais do que uma celebração nacional. A partir de Angra do Heroísmo, nos Açores, o chefe de Estado aproveitou a principal cerimónia simbólica do país para deixar avisos ao Governo sobre salários, habitação e visão estratégica, fazer um apelo contra a polarização política e enviar uma mensagem aos aliados europeus e norte-americanos numa altura de crescente instabilidade internacional.

Num discurso marcado pela evocação do mar e da identidade atlântica portuguesa, Seguro descreveu os portugueses como um povo "resiliente perante as tempestades, humilde perante a imensidão e determinado perante o desconhecido". Mas rapidamente trocou o registo simbólico pelas preocupações concretas do presente.

A principal mensagem interna incidiu sobre a situação económica e social do país. O Presidente alertou para a dificuldade em fixar jovens qualificados, para os baixos salários e para a crise da habitação.

"O problema não é o talento. Nunca foi o talento. O problema é que esse talento parte para outros destinos, demasiadas vezes, porque não encontra em Portugal as condições para crescer", afirmou.

Seguro considerou que "o que se ganhou em qualificação não tem sido acompanhado em remuneração" e acrescentou que "a habitação é praticamente inacessível e esgota qualquer orçamento".

Afirmou ainda que "o Estado e as empresas têm de reconhecer que o mercado de trabalho ainda não aprendeu a recompensar adequadamente o conhecimento e a inovação", considerando que essa realidade é "inaceitável". "Não podemos ficar à espera de milagres."

O Presidente defendeu "políticas que fixem talento em vez de o exportar", salários que reflitam a produtividade dos trabalhadores e um mercado da habitação que permita aos jovens construir uma vida em Portugal.

No entanto, os avisos não ficaram pela economia.

"Este é um tempo que nos pede coragem", afirmou, defendendo "a coragem prática de fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo".

Sem referências diretas ao Governo, Seguro pediu que se saiba "dizer a verdade mesmo quando é desconfortável", "investir no futuro mesmo quando o presente aperta" e "defender o interesse de longo prazo mesmo quando o ciclo eleitoral empurra para o curto prazo".

Alertou ainda para aquilo que classificou como um "tempo de trincheiras", marcado pela crescente polarização.

"As palavras do meio são mais de tolerância do que de exclusão, mais de disponibilidade do que de afastamento", afirmou, antes de defender que "não haverá democracia firme e pujante se os partidos não reconhecerem que a política, sendo um espaço de confronto, é também um lugar de compromisso".

A partir da ilha onde fica a Base Aérea das Lajes, o Presidente da República aproveitou também para posicionar Portugal num dos debates centrais da atualidade internacional: a relação entre o reforço da defesa europeia e a manutenção da aliança transatlântica.

"A autonomia estratégica europeia como prioridade não é contraditória com a defesa transatlântica. É o seu complemento natural”, afirmou.

O Presidente sublinhou que "o presente e o futuro da Europa e da América do Norte são dimensões de uma mesma comunidade de segurança, que tem na NATO o seu pilar fundamental" e defendeu que a segurança europeia depende da cooperação com os aliados.

"Autonomia não significa isolamento. Significa liberdade de decisão e responsabilidade, aperfeiçoando, atualizando e reforçando cooperações bilaterais com os nossos aliados”, declarou.

Numa altura em que o relacionamento entre os Estados Unidos e os parceiros europeus continua a ser acompanhado com atenção pelas capitais europeias, Seguro insistiu ainda numa "relação de equilíbrio e reciprocidade" entre aliados, assente na defesa da paz, da liberdade, dos direitos humanos e do multilateralismo.

 

Fonte: TVI

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