O Tribunal Administrativo (TA) está a intensificar uma agenda de reformas estruturais para responder às crescentes exigências sobre o sistema de justiça administrativa, num contexto marcado por elevados níveis de pendência processual e por uma pressão crescente por maior transparência na gestão pública.De acordo com , a Presidente do Tribunal Administrativo, Ana Maria Gemo Bié, defendeu a necessidade de acelerar a transformação da jurisdição administrativa, fiscal, aduaneira e de contas públicas, sublinhando que a eficácia da justiça depende não apenas do acesso formal, mas da capacidade de produzir decisões úteis, céleres e materialmente eficazes.Os números evidenciam a dimensão do desafio. Em 2025, o contencioso administrativo ultrapassou os dois mil processos, enquanto a jurisdição de contas públicas acumulou mais de 7.300 processos, incluindo pendências transitadas.Este volume processual continua a afectar a tempestividade das decisões e a percepção da eficácia do sistema judicial, com implicações directas para o ambiente de negócios. A morosidade na resolução de litígios administrativos e fiscais compromete a previsibilidade jurídica, um factor crítico para investidores e operadores económicos.Apesar do reforço do número de magistrados — que passou de 101 para 106 — e do aumento de conselheiros, os ganhos de capacidade ainda não se reflectem plenamente na redução das pendências.A liderança do Tribunal Administrativo sublinha que a celeridade processual deve ser encarada como um elemento estruturante da justiça. A demora nas decisões não apenas limita o acesso efectivo à justiça, como reduz a sua utilidade prática para cidadãos e empresas.Neste contexto, a agenda de reformas procura alinhar o funcionamento da jurisdição com as exigências de uma economia moderna, onde rapidez e previsibilidade são determinantes.A transformação digital é apontada como um dos principais instrumentos para aumentar a eficiência do sistema. A implementação de mecanismos de tramitação electrónica deverá permitir maior transparência, redução de erros processuais e aceleração dos procedimentos.Esta modernização é particularmente relevante num cenário em que a qualidade dos processos submetidos continua a ser um factor que condiciona a fluidez da tramitação.Para além da função jurisdicional, o Tribunal Administrativo mantém um papel activo no controlo da legalidade da despesa pública. Em 2025, foram responsabilizados 236 gestores públicos, com reposições superiores a 422 milhões de meticais.Este desempenho reforça a relevância da instituição na arquitectura de governação financeira, contribuindo para a disciplina orçamental e para a integridade na gestão dos recursos públicos.O combate à corrupção mantém-se como uma linha contínua de actuação, com o Tribunal Administrativo a destacar o Plano de Prevenção e Combate à Corrupção como instrumento central para fortalecer os mecanismos internos de controlo.A abordagem assenta numa lógica de vigilância permanente e compromisso institucional, visando consolidar uma cultura de integridade.A capacidade de reduzir pendências, acelerar processos e reforçar a integridade institucional será determinante para melhorar o ambiente de investimento em Moçambique.Num contexto em que a previsibilidade jurídica é um activo estratégico, a evolução da justiça administrativa poderá desempenhar um papel decisivo na atracção de investimento e no fortalecimento da confiança dos agentes económicos.
Fonte: O Económico





