Se costumas ler os meus artigos aqui na Leak, sabes bem que o iPhone vive numa espécie de realidade paralela. O ecossistema da Apple parece ter uma imunidade rara. Ou seja, o custo de vida pode roçar o absurdo, as rendas podem estar nos píncaros e as crises de chips podem andar a fustigar a indústria, mas a verdade é que o smartphone da maçã continua a vender como pãezinhos quentes. É um fenómeno de fidelidade quase cega.
As pessoas querem um iPhone, e como tal, fazem das tripas coração para o conseguir.
Contudo, o ano de 2026 está a preparar uma rasteira monumental que promete esticar a corda ao limite. O mercado das memórias RAM e de armazenamento entrou num nó cego que ninguém consegue travar e, pela primeira vez em muito tempo, a Apple não vai conseguir fazer contorcionismo técnico para absorver os custos.
O impacto vai direto para a etiqueta e promete ser doloroso.
Todos sabemos como o jogo funciona. Nos últimos anos, a Apple tem feito uma engenharia de marketing incrível para manter os preços mais ou menos inalteradaos, fazendo apenas alguns ajustes na gama. Ou seja, limpou as versões com menos armazenamento ou eliminou modelos como o Mini para obrigar a malta a gastar mais sem dar por isso. Só que desta vez o buraco é mais fundo. Com o “RAMpocalypse” a morder os calcanhares, os rumores apontam para aumentos históricos na ordem dos 200€ a 300€ de uma assentada.
Aliás, isto já aconteceu no lado do MacBook e do iPad. A memória é a mesma no lado do iPhone, por isso… Os preços vão aumentar e não vai ser pouco. Pode não ser um valor tão alto, porque a economia de escala não é a mesma, e é mais fácil “brincar” com a margem no iPhone. Mas, o aumento é inevitável.
Para além disso, a estratégia para o próximo alinhamento de lançamentos parece ser tudo menos amigável para carteiras normais. Há fortes indícios de que a Apple vai apostar todas as fichas apenas nos modelos premium (os Pro, Pro Max e o novo modelo dobrável), empurrando a versão standard mais barata para o início de 2027.
Isto deixa o consumidor perante um cenário ridículo. Ou salta de cabeça para os modelos mais caros de sempre, ou fica a ver os navios passar com o telemóvel do ano passado.
É aqui que entra o verdadeiro teste à fidelidade. Uma coisa é dar mais 50€ por um equipamento novo, que promete algumas novidades engraçadas. Outra completamente diferente é ver o preço disparar uma coisa parva de uma geração para a outra, quando as novidades reais são quase sempre incrementais e residem em detalhes que a maioria dos utilizadores nem vai notar no dia a dia.
Será que a mística da marca chega para convencer alguém a gastar mais 300€ por um ecrã ligeiramente mais brilhante ou por mais uns pozinhos de Inteligência Artificial? Pessoalmente, custa-me a acreditar que o consumo se mantenha nesta velocidade de quebra de recordes. Quando o dinheiro custa a ganhar e as necessidades básicas apertam, o iPhone deixa de ser um objeto de desejo obrigatório e passa a ser um luxo injustificável.
Se a malta decidir bater com o pé e fechar a carteira, a Apple vai perceber da pior maneira que até a lealdade dos seus maiores fãs tem um preço limite.
Fonte: Zero Zero






