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«Vivemos dias de ansiedade, aguardamos uma decisão que permita a reabertura do Boavista»

O movimento “Salvar o Boavista”, responsável por angariar a verba necessária para a reabertura do clube, mostrou-se expectante pela decisão do tribunal sobre o futuro dos axadrezados, que podem encerrar a atividade em breve.

«Vivemos dias de enorme ansiedade. Toda a família boavisteira aguarda uma decisão do tribunal que permita a reabertura do nosso clube. Uma decisão que era esperada na quarta-feira, depois na quinta-feira e que muitos acreditavam que pudesse finalmente chegar hoje [ndr: na sexta-feira], sobretudo depois da demonstração inequívoca de união da cidade, da mobilização dos boavisteiros e do valor entretanto depositado na conta da massa insolvente», reconheceu o movimento, através das redes sociais, na sexta-feira.

Há uma semana, a administradora de insolvência anunciou que o Boavista encerraria a atividade até ao fim de julho, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão que incidia em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades, e que já tinha estado perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025.

A entrega das chaves do Estádio do Bessa e de espaços adjacentes, livres de pessoas e bens, está prevista até 31 de julho, mas o movimento “Salvar o Boavista” angariou cerca de 80 mil euros nos últimos dias e continua a aceitar donativos para tentar evitar o encerramento do clube.

«Quando muitos acreditavam que já nada podia ser feito, sócios, adeptos, antigos atletas, portuenses e boavisteiros espalhados por Portugal e pelo mundo uniram-se numa causa comum: salvar o Boavista. Uma semana depois, foi já possível angariar mais do que o valor necessário para manter as portas abertas, segundo a administradora de insolvência, valor que reverteu integralmente para a conta da massa insolvente», assegurou.

Perante essa mobilização, a direção do clube apresentou um requerimento ao tribunal para obter a validação da administradora de insolvência e poder reabrir as instalações do Estádio do Bessa, mas ainda não teve resposta. «É impossível não sentir alguma incompreensão. A rapidez com que foi determinado o encerramento do clube não está a ser acompanhada pela mesma celeridade na sua reabertura, apesar desta extraordinária demonstração de vida, força e capacidade de superação e, pelo que consta, com parecer favorável à reabertura por parte da comissão de credores. Cada dia que passa aumenta a angústia de todos, mas, se há algo que este movimento já provou, é que a esperança nunca deixou de existir, frisou, rejeitando estar vinculado a «qualquer direção, candidatura ou interesse particular».

«Queremos continuar a mobilizar a massa associativa, os adeptos, os antigos jogadores, os empresários, os portuenses e todos os que amam o Boavista para assegurar as despesas correntes do clube até ao final de 2026, permitindo que se possa reconstruir com estabilidade, dignidade e confiança», asseguraram.

O movimento retribui com uma camisola exclusiva da campanha quem contribuir com, pelo menos, 50 euros, numa iniciativa em que já foram registados quase 1.500 pedidos e o objetivo será vender 3.000 peças. «Nos próximos dias, apresentaremos à direção do Boavista uma proposta de um novo plano de quotização, que possa contribuir para reforçar a sustentabilidade do clube», adiantou, agradecendo ao emblema presidido por Rui Garrido Pereira pela colaboração na divulgação da campanha.

Na terça-feira, a Câmara Municipal do Porto aprovou por unanimidade uma moção conjunta em que reafirma o compromisso com a salvaguarda da relevância social do Boavista, tendo o executivo liderado por Pedro Duarte, da coligação PSD/CDS-PP/IL, mostrado disponibilidade para colaborar na procura de soluções. «Acreditamos que o Boavista reabrirá portas até 31 de julho. Não faria sentido que assim não fosse, mas o nosso objetivo nunca foi apenas garantir a reabertura do clube. É ajudar a garantir a sua continuidade», concluiu.

 

Fonte: TVI

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