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Tuesday, February 10, 2026
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Haiti: agrava crise humanitária enquanto o financiamento internacional vacila

Resumo

O Haiti enfrenta uma grave crise humanitária devido à violência de gangues, instabilidade política e crise económica, levando mais de 1,4 milhão de pessoas a abandonar as suas casas. A ONU estima que 6 milhões de haitianos precisarão de assistência humanitária em 2026. O financiamento é crucial para fornecer serviços de emergência, alimentação, abrigo, saúde e educação. No entanto, o Haiti é uma das crises humanitárias menos financiadas, com apenas 24% do apelo de 2025 atendido. A falta de financiamento pode causar instabilidade regional, migração irregular e impactar países vizinhos. As agências humanitárias apelam a um apoio financeiro mais forte para expandir a ajuda alimentar, restaurar serviços básicos e promover a recuperação a longo prazo. Até agora, menos de 4% do apelo para 2026 foi financiado.

O Haiti enfrenta, atualmente, uma das crises humanitárias mais graves do mundo. A situação é impulsionada pela escalada da violência de gangues, instabilidade política e uma profunda crise econômica. 

Grupos armados controlam grandes áreas da capital, Porto Príncipe, forçando mais de 1,4 milhão de pessoas a abandonar suas casas. A ONU calcula que 6 milhões de haitianos precisarão de algum tipo de assistência humanitária em 2026.

Financiamento é essencial 

No contexto do conflito, metade da população não tem alimento e a desnutrição entre as crianças aumenta drasticamente. Os esforços humanitários são também limitados pela insegurança e pelo bloqueio das vias de acesso.

O financiamento da ajuda humanitária no Haiti é uma tábua de salvação para milhões de pessoas. O Plano de Resposta Humanitária para 2026 busca US$ 880 milhões para ajudar 4,2 milhões dos 6 milhões de pessoas vulneráveis. 

O auxílio prevê serviços de emergência de alimentação, abrigo, proteção, saúde e educação.

As agências da ONU reforçam que os fundos dos doadores são essenciais, não só para salvar vidas, mas também para estabilizar comunidades marcadas pela violência e pelo deslocamento.

Mulheres e crianças representam mais de metade das pessoas deslocadas no país, tornando-se as principais vítimas da crise no Haiti
© Unicef/Patrice Noel

Mulheres e crianças representam mais de metade das pessoas deslocadas no país, tornando-se as principais vítimas da crise no Haiti

Redução de serviços essenciais

Devido aos cortes no financiamento, serviços de segurança alimentar foram reduzidos. Muitas pessoas não têm assistência alimentar regular, à medida que a insegurança alimentar aumenta em todo o país. 

O acesso à água potável foi limitado, com cortes na distribuição de água e nos serviços de água, saneamento e higiene. Faltam ainda serviços de saúde primários, que incluem apoio à saúde ao nível comunitário e serviços clínicos.

A educação, já impactada pelo encerramento de escolas, foi também afetada e os serviços de proteção foram restringidos Os cortes incluem programas que abordam a violência de gênero, a proteção infantil e o apoio às sobreviventes.

Dificuldades na angariação de fundos

Apesar da magnitude das necessidades, o apelo humanitário do Haiti está entre as crises menos financiadas do mundo. Para 2025, a ONU solicitou US$ 908 milhões, mas recebeu apenas 24% dessa meta.

Crises globais concorrentes e a fadiga dos doadores, juntamente com a atenção dada a outras emergências, incluindo no Sudão, na Ucrânia e em Gaza, deixaram as necessidades do Haiti sem recursos suficientes.

Por estas razões, as agências são forçadas a priorizar os casos mais urgentes, enquanto muitos ficam sem assistência.

Pessoas se reúnem em um local para deslocados em Porto Príncipe, Haiti
Opas/OMS/David Lorens Mentor

Pessoas se reúnem em um local para deslocados em Porto Príncipe, Haiti

Consequências regionais e internacionais 

A falta de financiamento total para a resposta humanitária no Haiti pode causar uma instabilidade mais ampla além das suas fronteiras.

A Organização Internacional para as Migrações, OIM, alertou que a violência descontrolada, o deslocamento em massa e a falta de serviços básicos podem alimentar a migração irregular. 

A situaçõo pode também impactar as pressões sobre os países vizinhos e prejudicar a cooperação regional em matéria de economia e segurança.

A instabilidade prolongada também aumenta a probabilidade de crises secundárias, como emergências de saúde pública e crime transfronteiriço, sentidas em toda a região do Caribe e das Américas. 

Próximos passos

No final de 2025, a ONU lançou oficialmente o Plano de Resposta Humanitária do Haiti para 2026, apelando aos governos e parceiros para que intensifiquem os compromissos de preservar a vida e a dignidade em meio à violência e às privações.

As agências de ajuda humanitária pretendem expandir o apoio alimentar, restaurar os serviços básicos, melhorar a proteção aos grupos vulneráveis e promover uma recuperação a longo prazo. Contudo, o mesmo só é possível com um apoio financeiro mais forte e melhorias na segurança. 

No início de fevereiro, menos de 4% do apelo para 2026 havia sido financiado.

Fonte: ONU

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