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Ouro Caminha Para Pior Semana Em Seis Anos Com Guerra E Inflação A Travarem Cortes De Juros

Resumo

O ouro está a caminho da sua pior semana em seis anos, com uma queda de cerca de 7% devido a uma combinação adversa de factores macroeconómicos e financeiros, incluindo a subida dos preços da energia que reforça as expectativas de inflação global. Esta situação tem reduzido a atratividade do ouro, que não gera rendimento, levando os investidores a preferir ativos com retorno. O fortalecimento do dólar e a subida das yields dos Treasuries têm contribuído para a reavaliação das posições em ouro. Apesar da possibilidade de uma recuperação de curto prazo devido a indicadores técnicos de sobre-venda, analistas alertam para a persistência da volatilidade e a ausência de catalisadores para uma inversão duradoura da tendência. O ouro mantém uma valorização de cerca de 8% no acumulado do ano, apoiado por compras de bancos centrais e preocupações geopolíticas.

O ouro está a caminho de registar a sua pior semana em seis anos, numa inversão significativa da sua tradicional função de activo-refúgio em períodos de instabilidade geopolítica. A cotação do metal precioso caiu cerca de 7% ao longo da semana, negociando próximo dos 4.685 dólares por onça, reflectindo uma combinação adversa de factores macroeconómicos e financeiros .Paradoxalmente, a intensificação do conflito no Médio Oriente — que, em circunstâncias normais, tenderia a impulsionar a procura por activos seguros — está a produzir o efeito contrário. O principal canal de transmissão tem sido o mercado energético: a subida acentuada dos preços do petróleo, gás natural e combustíveis está a reforçar as expectativas de inflação global, reduzindo a margem de manobra dos bancos centrais para flexibilizar a política monetária.O aumento dos preços da energia tem implicações directas sobre a trajectória da inflação, obrigando instituições como a Reserva Federal dos Estados Unidos a adoptar uma postura mais cautelosa. Na sua última reunião, o banco central optou por manter as taxas de juro inalteradas, com o presidente Jerome Powell a sublinhar que qualquer ciclo de cortes dependerá de progressos claros no controlo da inflação .Este enquadramento é estruturalmente negativo para o ouro, que não gera rendimento. Num contexto de taxas de juro elevadas e yields em ascensão, os investidores tendem a privilegiar activos com retorno, reduzindo a atractividade do metal precioso.A pressão sobre o ouro é amplificada por factores financeiros adicionais. O fortalecimento do dólar norte-americano e a subida das yields dos Treasuries têm contribuído para a reavaliação das posições em ouro. Simultaneamente, investidores têm vendido ouro para cobrir perdas noutros mercados, num movimento típico de desalavancagem em períodos de elevada volatilidade .Os fundos cotados em bolsa (ETFs) lastreados em ouro registam a terceira semana consecutiva de saídas, com uma redução superior a 60 toneladas nas suas reservas, anulando os ganhos acumulados desde o início do ano.Apesar da forte correcção, alguns indicadores técnicos sugerem que o ouro poderá estar próximo de níveis de sobre-venda, o que abre espaço para uma recuperação de curto prazo. Ainda assim, analistas alertam para a persistência da volatilidade e para a ausência de catalisadores claros que sustentem uma inversão duradoura da tendência.O comportamento recente do ouro remete para episódios anteriores, como o choque energético provocado pela guerra na Ucrânia em 2022, quando o metal registou uma sequência prolongada de perdas, evidenciando a sua sensibilidade ao contexto macroeconómico mais amplo.O actual ciclo levanta uma questão mais estrutural: estará o ouro a perder o seu estatuto clássico de refúgio em favor de um comportamento mais alinhado com activos de risco? A evidência recente sugere que, em ambientes dominados por choques inflacionistas e expectativas de juros elevados, o metal pode comportar-se mais como um activo de “momentum”, reagindo negativamente a dinâmicas que tradicionalmente lhe seriam favoráveis.Ainda assim, no acumulado do ano, o ouro mantém uma valorização de cerca de 8%, sustentada por compras de bancos centrais e por preocupações geopolíticas mais amplas, o que indica que a sua relevância estratégica permanece intacta — ainda que sujeita a uma crescente complexidade.

Fonte: O Económico

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