InícioEconomiaInvestimentos assimétricos em IA agravam desigualdades no mundo

Investimentos assimétricos em IA agravam desigualdades no mundo

Resumo

A concentração do investimento em tecnologias inovadoras em poucos setores e países está a prejudicar o crescimento económico global, alerta a Unctad. Cerca de 75% do Investimento Direto Estrangeiro flui para apenas 10 países, como o Brasil, dificultando a captação de capital por nações menos desenvolvidas. A instabilidade geopolítica tem impacto nos fluxos de IDE, que caíram 11% em 2024, refletindo incerteza económica. Empresas estão a investir em mercados alinhados geopoliticamente, enquanto governos adotam políticas para gerir riscos. A Unctad destaca esforços de financiamento sustentável, como o investimento Sul-Sul, e debate sobre como países com orçamento limitado podem competir em setores estratégicos como a inteligência artificial, enfatizando a necessidade de reforçar ecossistemas internos e reter investimentos duradouros para o desenvolvimento económico.

A concentração do investimento em tecnologias inovadoras num número cada vez mais reduzido de setores e países compromete o crescimento de inúmeras economias e reforça as assimetrias globais de desenvolvimento. 

O alerta foi dado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, durante a abertura da 12.ª Reunião Plurianual de Especialistas sobre Investimento, Inovação e Empreendedorismo, em Genebra.

Desigualdades no investimento 

De acordo com a Unctad, o investimento tecnológico atual concentra-se num conjunto restrito de indústrias inovadoras – como a inteligência artificial e as energias renováveis – onde a concorrência, os incentivos políticos e as crescentes preocupações de segurança são mais acentuados.

O investimento segue ainda uma tendência de concentração e desequilíbrio geográfico. A agência estima que cerca de 75% do Investimento Direto Estrangeiro, IDE, flui atualmente para apenas 10 países, entre os quais se destaca o Brasil.

Enquanto fonte essencial de financiamento, emprego e transferência de tecnologia, a fixação assimétrica do IDE no setor tecnológico dificulta a atração de capital por parte dos países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos.

A concentração do investimento num conjunto restrito de economias e setores industriais confirma uma tendência clara: o investimento tecnológico global está a tornar-se mais seletivo, mais político e mais desigual.

Um navio de carga carregado com contêineres em um porto em Tonga. Um grande guindaste é visível no convés do navio, e trabalhadores com coletes de segurança estão de pé no cais.
Banco Mundial
Um navio descarrega sua carga no porto de Nuku'alofa, Tonga

Tensões globais reforçam incerteza 

A instabilidade verificada no plano internacional veio acentuar a volatilidade do mercado internacional e a reconfiguração do mapa global do desenvolvimento.

Os fluxos de IDE caíram 11% em 2024, antes de recuperarem 5% em 2025, refletindo o impacto das tensões geopolíticas e da incerteza económica.

Neste contexto, as empresas estão a reorientar os seus investimentos para mercados geopoliticamente alinhados e regionalmente integrados, enquanto os governos adotam políticas industriais e mecanismos de controlo para gerir riscos.

A Unctad realça que estas medidas constituem novas oportunidades para os países integrados nas redes regionais, enquanto acentuam o fosso económico entre estes e os países menos desenvolvidos.

Investimento como motor de desenvolvimento 

Apesar das assimetrias no desenvolvimento global, a agência das Nações Unidas destaca a expansão atual dos esforços de financiamento sustentável, nomeadamente através do investimento Sul-Sul e das reformas levadas a cabo por várias economias em desenvolvimento.

Na semana passada, a Unctad reuniu, em Genebra, especialistas e decisores para discutir como os países dotados de orçamento limitado podem responder e competir em setores estratégicos como a IA.

O debate abordou ainda a necessidade de reforçar ecossistemas internos e garantir a retenção de investimentos duradouros para o desenvolvimento dessas economias.

Fonte: ONU

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