InícioEconomiaEscassez De Divisas Aprofunda Constrangimentos Sobre Empresas E Economia – CIP

Escassez De Divisas Aprofunda Constrangimentos Sobre Empresas E Economia – CIP

Resumo

A economia moçambicana enfrenta limitações estruturais devido à persistente escassez de divisas e à crescente pressão cambial, revela um estudo do Centro de Integridade Pública. A vulnerabilidade cambial exige reformas para fortalecer a produção interna, diversificar a economia e aumentar a capacidade exportadora. A dependência de importações prejudica o crescimento económico, as importações, a inflação, a sustentabilidade fiscal e a dívida pública. A taxa de câmbio oficial, aparentemente estável desde 2021, não reflete a realidade do mercado cambial, com um diferencial de cerca de 15% em relação ao mercado paralelo. A escassez de divisas afeta o sector privado, levando ao encerramento de empresas e pressionando as famílias. A depreciação cambial tem impactos significativos no crescimento económico, inflação e dívida pública.

A persistente escassez de divisas e a crescente pressão cambial continuam a revelar limitações estruturais da economia moçambicana, num contexto em que o acesso à moeda estrangeira se tornou um dos principais constrangimentos à actividade empresarial, ao investimento privado e à estabilidade macroeconómica.

A conclusão consta de um estudo apresentado esta terça-feira, em Maputo, pelo Centro de Integridade Pública (CIP), intitulado “Impactos Macro-Fiscais Associados à Escassez de Divisas e Taxa de Câmbio: O Caso de Moçambique (1990-2024)”.

Segundo a economista e pesquisadora do CIP, Teresa Bueno, a actual vulnerabilidade cambial da economia moçambicana exige reformas estruturais orientadas para o fortalecimento da produção interna, diversificação económica e aumento da capacidade exportadora do País.

“Recomendamos o reforço da produção interna como tentativa de redução da dependência de importações”, afirmou a pesquisadora durante a apresentação dos resultados do estudo.

O estudo sustenta que a escassez persistente de divisas, conjugada com as limitações estruturais da economia, tem vindo a afectar de forma transversal o crescimento económico, o comportamento das importações, a inflação, a sustentabilidade fiscal e a dinâmica da dívida pública.

De acordo com a investigação, baseada em séries temporais entre 1990 e 2024, a economia nacional permanece “estruturalmente vulnerável à escassez persistente de moeda estrangeira e às flutuações da taxa de câmbio”.

Pressão Cambial E Divergência Entre Mercado Oficial E Paralelo

Um dos elementos destacados pelo estudo é a aparente estabilidade da taxa de câmbio oficial desde 2021, considerada desalinhada das condições reais do mercado cambial.

Segundo os dados apresentados pelo CIP, entre 2024 e 2026 verificou-se uma inversão nas vendas líquidas de divisas, passando de saldos positivos para valores negativos, numa trajectória que evidencia maior pressão sobre a disponibilidade de moeda estrangeira no mercado nacional.

O estudo cita igualmente dados segundo os quais a taxa de câmbio oficial apresenta um diferencial de aproximadamente 15% em relação ao mercado paralelo.

A pesquisadora Teresa Bueno afirmou que a persistente escassez de divisas e a aparente estabilidade da taxa de câmbio oficial continuam desalinhadas das condições reais do mercado, agravando a vulnerabilidade macroeconómica do País.

Os resultados econométricos do estudo mostram ainda que a depreciação cambial possui impactos estatisticamente significativos sobre variáveis macroeconómicas críticas, incluindo crescimento económico, inflação e dívida pública.

Sector Privado Sob Pressão E Encerramento De Empresas

O estudo do CIP dedica igualmente atenção aos impactos da escassez de divisas sobre o sector privado e o bem-estar das famílias.

Segundo os dados recolhidos através de entrevistas realizadas junto de empresas e associações empresariais entre Fevereiro e Abril de 2026, companhias dependentes de matérias-primas importadas reportaram uma redução de cerca de 40% da capacidade de importação e das suas actividades operacionais devido às dificuldades de acesso à moeda estrangeira.

A investigação aponta ainda que mais de 500 empresas encerraram actividades, situação que terá provocado a perda directa de mais de 15 mil postos de trabalho.

Além disso, o estudo identifica efeitos adicionais sobre a economia, incluindo diminuição da produção e do investimento, redução do rendimento dos agregados familiares, queda do consumo agregado, impactos negativos sobre o crescimento económico e arrecadação fiscal, bem como agravamento da pobreza e do mal-estar social.

Industrialização E Capacidade Exportadora No Centro Das Recomendações

Perante este quadro, o CIP defende um conjunto de reformas orientadas para reduzir a dependência estrutural da economia moçambicana em relação às importações e reforçar a capacidade de geração interna de divisas.

Entre as principais recomendações apresentadas estão a promoção da diversificação económica, industrialização e aumento da capacidade exportadora.

O estudo recomenda igualmente investimentos em infra-estruturas produtivas, particularmente nos sectores de energia e transportes, considerados fundamentais para elevar a competitividade da economia nacional.

A modernização agrícola, investimento em capital humano, melhoria do ambiente de negócios e aperfeiçoamento da gestão cambial também surgem entre as prioridades identificadas pelo CIP.

No domínio fiscal, a organização alerta para a necessidade de melhorar a gestão da dívida externa e reforçar a sustentabilidade das finanças públicas, tendo em conta a elevada exposição do País ao endividamento em moeda estrangeira.

Segundo o estudo, a depreciação cambial tende a agravar significativamente o peso da dívida pública, sobretudo num contexto de elevada dependência de financiamento externo.

Fonte: O Económico

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