De acordo com o representante da Organização Mundial da Saúde, OMS, Shible Sahbani, o surto incide principalmente sobre as comunidades das províncias ocidentais de Darfur e Cordofão.
Mais de mil casos confirmados
Em conferência de imprensa em Genebra, nesta sexta-feira, o especialista relatou mais de 1.330 casos confirmados e 114 mortes devido à infeção intestinal aguda causada pela bactéria Vibrio Cholerae.
Segundo a OMS, o número real de mortes é provavelmente muito mais elevado.
Apesar da eficácia da prevenção e do tratamento desta doença, a infeção pode ser mortal caso não seja acompanhada por um tratamento rápido e adequado, sublinha Sahbani.
A taxa de letalidade da cólera no Sudão já é “extremamente elevada”, situando-se em 13,7%. O representante da OMS explicou que a situação pode se agravar com a chegada da estação das chuvas.
Para além da cólera, registam-se ainda surtos ativos de dengue, malária, meningite, hepatite E e sarampo.

Pessoas deslocadas pelo conflito buscam abrigo em uma estação de ônibus em Gedaref, Sudão.
Propagação preocupa agências humanitárias
O Sudão enfrenta a maior crise humanitária do mundo, com mais de 33 milhões de pessoas a necessitar de ajuda. Entre estas, estima-se que 21 milhões necessitem de serviços de saúde.
Desde o início da guerra, a 15 de abril de 2023, pelo menos 59 mil pessoas perderam a vida.
As agências humanitárias temem a propagação da doença entre as centenas de milhares de pessoas que fugiram de cidades e zonas rurais do Cordofão do Norte, o epicentro dos combates atuais entre as Forças Armadas Sudanesas, SAF, e as Forças de Apoio Rápido, RSF.
Nessa região, Shible Sahbani destaca a situação particularmente precária em El-Obeid, onde as unidades de saúde estão sobrecarregadas e o acesso a cuidados por parte da população é extremamente limitado.
Apelo à comunidade internacional
O representante da OMS reforçou os recentes apelos do alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, à comunidade internacional para prevenir novas atrocidades em El-Obeid e evitar novos massacres.
Shible Sahbani aproveitou ainda para apelar ao acesso e envio de suprimentos para a cidade sudanesa, com vista a colmatar os riscos associados aos surtos de doenças, à desnutrição e à violência, incluindo violência contra mulheres e crianças.
Fonte: ONU






