O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol foi condenado a 30 anos de prisão por enviar drones militares para a Coreia do Norte em 2024, com o objetivo de provocar Pyongyang e decretar a lei marcial.
Os procuradores especiais consideraram, em abril, que a tentativa de Yoon de "criar condições de guerra" através do envio desses drones tinha prejudicado a segurança do Estado, aumentando as tensões com o Norte.
O antigo chefe de Estado, de 65 anos, já tinha sido condenado a prisão perpétua em fevereiro por "insurreição", por ter tentado impor a lei marcial em dezembro de 2024 e por ter enviado o exército ao parlamento para o silenciar. Foi também condenado a cinco anos de prisão em janeiro, num outro desdobramento do caso.
A Justiça sul-coreana acusa Yoon de ter ordenado o envio de drones carregados com panfletos de propaganda sobre Pyongyang em outubro de 2024, com o objetivo de provocar um incidente armado que servisse de pretexto para impor a lei marcial.
Os procuradores argumentaram ainda que a operação reacendeu as tensões com Pyongyang e levou à fuga de informações confidenciais, uma vez que os drones se despenharam em território norte-coreano, segundo a agência noticiosa Yonhap.
Contra todas as expectativas, a Coreia do Norte reagiu com moderação, limitando-se a avisar que retaliaria caso fossem enviados novos drones.
Isso não impediu Yoon de tentar, apesar de tudo, o golpe de força dois meses depois, justificando-o com ameaças vagas, representadas - segundo ele - por "forças antinacionais" a soldo da Coreia do Norte, e pelo facto de o parlamento, dominado pela oposição, se recusar a aprovar o Orçamento do Estado.
No entanto, um número suficiente de deputados conseguiu infiltrar-se no Parlamento cercado por soldados e votar uma resolução contra a lei marcial, obrigando Yoon a recuar.
O regime civil acabou por ser suspenso apenas durante seis horas, mas a tentativa de Yoon desencadeou uma profunda crise política no país.
Yoon Suk-yeol, destituído em abril de 2025 e atualmente detido, recorreu da condenação a prisão perpétua, afirmando ter agido "apenas para o bem da nação".
Os advogados de Yoon Suk-yeol rejeitaram as acusações relativas ao envio de drones, afirmando que não houve "nenhuma ordem prévia nem aprovação a posteriori" por parte do ex-presidente para a referida operação.
A defesa do ex-líder sustentou ainda que a operação constituiu uma resposta ao envio pela Coreia do Norte, no mesmo ano, de balões cheios de lixo para a Coreia do Sul e que se tratava de "um ato legítimo de autodefesa", sem qualquer ligação com a declaração da lei marcial.
Fonte: TVI
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