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Agências respondem a riscos do ebola em maternidades, fronteiras e zonas de conflito

Resumo

Os casos confirmados de ebola na República Democrática do Congo atingiram 896, com 232 óbitos em 33 zonas de saúde em três províncias. A situação em Bunia, fortemente afetada, é considerada grave pela OMS. Mais de 115 especialistas da OMS estão a apoiar a resposta, com mais de 110 toneladas de suprimentos entregues. Restrições de acesso em áreas de conflito continuam a limitar as ações médicas. O Unfpa destaca os riscos em maternidades, com taxas de mortalidade elevadas entre gestantes infetadas. A OIM alerta que o surto no leste do país se espalha por corredores de movimentação transfronteiriça ativos, realizando triagens de saúde para conter a propagação.

Os casos confirmados de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, chegaram a 896 nessa sexta-feira, com 232 óbitos em 33 zonas de saúde, localizadas em três províncias da nação africana. 

Falando de Bunia, um dos locais mais atingidos, a diretora de emergências para África da Organização Mundial da Saúde, OMS, Marie-Roseline Belizaire, afirmou que a situação permanece grave e continua evoluindo.

110 toneladas de suprimentos de emergência

Nas últimas semanas, ela visitou comunidades afetadas, centros de tratamento e polos operacionais, onde observou o extraordinário comprometimento dos profissionais de saúde na linha de frente.

Mais de 115 especialistas da OMS foram mobilizados nas províncias e zonas de saúde afetadas para apoiar os diferentes pilares da resposta. Mais de 110 toneladas de suprimentos de emergência foram entregues para apoiar as operações.

O foco da OMS é garantir que as comunidades afetadas recebam atendimento oportuno e que os serviços de resposta alcancem as pessoas o mais rápido possível, mas restrições de acesso em áreas de conflito continuam  limitando as ações médicas.

Homens com coletes de segurança e máscaras manuseiam caixas com o logotipo da OMS, carregando-as em um avião em um aeroporto.
OMS/Joël Lumbala
Um carregamento de suprimentos médicos essenciais para a resposta ao ebola chega ao aeroporto de Bunia, na província de Ituri, República Democrática do Congo

Riscos em maternidades

De Kinshasa, capital congolesa, a representante adjunta do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, na República Democrática do Congo, Noemi Dalmonte, afirmou que as mulheres são as principais responsáveis ​​pelos cuidados com os familiares doentes. 

Muitas profissionais de saúde da linha de frente, especialmente parteiras e enfermeiras, são mulheres, que trabalham em maternidades e unidades de saúde, onde o risco de exposição é muito real.

A representante do Unfpa relatou ainda que as taxas de mortalidade entre gestantes infectadas com o ebola chegaram a 90%, e a mortalidade perinatal, o período imediatamente anterior ou posterior ao parto, atingiu 100% em alguns locais.

O Unfpa apoia a prevenção e o controle de infecções em maternidades por meio da capacitação de profissionais de saúde, do fortalecimento de medidas de higiene e gestão de resíduos, e da aquisição de equipamentos de proteção individual para partos com grande volume de fluidos.

Movimentação transfronteiriça

Já a representante da Organização Internacional para as Migrações, OIM, Zoe Brennan, afirmou que o surto de ebola no leste da RD Congo está se alastrando por um dos corredores de movimentação transfronteiriça mais ativos da África.

Ali, milhares de pessoas se deslocam diariamente em busca de segurança, trabalho, cuidados de saúde e contato com suas famílias. Para a OIM, compreender os padrões de mobilidade humana é uma das ferramentas mais importantes para conter a propagação da doença. 

A agência já realizou mais de um milhão de triagens de saúde em fronteiras e ao longo das principais rotas e corredores de viagem em países afetados e em risco. Isso inclui uma atuação em mais de 110 pontos de entrada.

Nesta sexta-feira, a OIM anunciou que vai ampliar suas operações na RD Congo e em Uganda, para reforçar a vigilância sanitária em postos de fronteira e outros pontos estratégicos ao longo das rotas de mobilidade.

Medo e desinformação

Por sua vez, o chefe de Saúde Pública da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, Allen Maina, informou que mais de dois milhões de pessoas deslocadas à força, incluindo mais de 320 mil refugiados, vivem em áreas de risco na RD Congo, onde combates se desenrolam paralelemente à disseminação do ebola.

Maina contou que, em 7 de junho, o Acnur monitorou a chegada de cerca de 2.250 pessoas de Mbau, a 20 km de Beni, um dos epicentros do surto. O deslocamento ocorreu porque a movimentação de grupos armados provocou pânico e fez as pessoas fugirem para uma zona afetada pelo ebola, que já abrigava mais de 14,3 mil pessoas deslocadas.

O representante do Acnur alertou que para refugiados e deslocados que já enfrentam traumas, insegurança e falta de assistência humanitária adequada, o surto alimenta o medo e a desinformação, corroendo a confiança nas equipes de resposta e atrasando o acesso a cuidados vitais.

Fonte: ONU

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