Resumo
A Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) confirmou situações pontuais de falta de combustíveis líquidos em alguns postos de abastecimento em Moçambique, mas garante não haver escassez generalizada. A entidade está a investigar as causas e a trabalhar com os operadores do sector petrolífero para resolver a situação. A ARENE apela à calma dos consumidores para evitar agravar as dificuldades de abastecimento. A possibilidade de baixa nos preços dos combustíveis está em discussão, mas a evolução depende de vários factores logísticos. Especialistas destacam que a falta de combustível pode resultar de questões como atrasos na descarga de navios ou problemas logísticos temporários. Moçambique, fortemente dependente da importação de combustíveis, é sensível a perturbações nas cadeias de abastecimento globais. A situação preocupa consumidores e empresas de transporte, que dependem do fornecimento regular de combustíveis. A ARENE compromete-se a monitorizar a situação e informar sobre novos desenvolvimentos.
A Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) confirmou a existência de situações pontuais de indisponibilidade de combustíveis líquidos em alguns postos de abastecimento do país, na sequência dos relatos de escassez parcial ou total de gasolina e gasóleo registados nos últimos dias em diferentes províncias. A entidade garante, contudo, que não há indícios de ruptura generalizada no mercado e assegura estar a acompanhar a situação em coordenação com os operadores do sector petrolífero.
Num comunicado divulgado na quarta-feira, a ARENE refere que está a trabalhar com as empresas distribuidoras e outras entidades relevantes para identificar as causas da indisponibilidade e avaliar o seu impacto sobre o funcionamento do mercado nacional de combustíveis. O regulador afirma que continuará a monitorizar a evolução do abastecimento e promete adoptar as medidas necessárias para restabelecer a normalidade nas zonas afectadas.
A autoridade apelou igualmente à serenidade dos consumidores, alertando que uma corrida às bombas poderá agravar dificuldades temporárias de abastecimento. Segundo a instituição, a compra motivada pelo receio de escassez tende a aumentar a pressão sobre a cadeia de distribuição e a dificultar a reposição dos stocks nos postos de abastecimento.
Os constrangimentos surgem poucos dias depois de o Governo admitir a possibilidade de rever em baixa os preços dos combustíveis, caso se consolide a tendência de queda das cotações internacionais do petróleo após o cessar-fogo anunciado entre o Irão e os Estados Unidos. Apesar da descida do preço do barril de Brent nos mercados internacionais, as autoridades já tinham alertado que a evolução dos preços internos dependeria igualmente de factores logísticos, custos de importação, transporte, armazenamento e disponibilidade de produto. Estes elementos continuam a influenciar o abastecimento num país fortemente dependente da importação de combustíveis refinados.
Especialistas do sector energético sublinham que episódios localizados de indisponibilidade nem sempre resultam de falta de produto no mercado nacional. Em muitos casos, podem estar associados a atrasos na descarga de navios, limitações na capacidade de armazenamento, dificuldades no transporte entre terminais e postos de abastecimento ou processos logísticos que afectam temporariamente determinadas regiões.
Moçambique importa praticamente a totalidade dos combustíveis líquidos que consome, tornando o mercado particularmente sensível às oscilações internacionais e aos constrangimentos nas cadeias de abastecimento. Nos últimos anos, acontecimentos como a pandemia da COVID-19, a guerra na Ucrânia e, mais recentemente, as tensões no Médio Oriente demonstraram a vulnerabilidade dos mercados energéticos globais e os seus efeitos sobre países importadores.
Embora a ARENE assegure que a situação é pontual, a ocorrência reacendeu preocupações entre consumidores e operadores económicos, sobretudo nos sectores dos transportes e da logística, que dependem do fornecimento contínuo de combustíveis para manter as suas actividades. Empresas de transporte rodoviário alertam que eventuais interrupções prolongadas poderão afectar a distribuição de mercadorias e aumentar os custos operacionais.
Até ao momento, a ARENE não divulgou quantos postos de abastecimento foram afectados nem indicou um prazo para a normalização completa do fornecimento, mantendo, contudo, o compromisso de acompanhar permanentemente a evolução da situação e de informar o público sempre que existam novos desenvolvimentos.






