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Paulo Portas diz que a Europa “dormiu na forma” e que os 5% exigidos por Trump na NATO “não têm demonstração racional”

Resumo

Paulo Portas afirmou este domingo que a próxima cimeira da NATO será uma “cimeira de transição”, marcada pela pressão de Donald Trump sobre os aliados europeus e pela necessidade de reforçar a base industrial de defesa da Europa No habitual comentário no Jornal Nacional, Portas lembrou que o compromisso dos 2% em despesa de defesa vinha de 2014, mas que a Europa não agiu a tempo “A Europa dormiu na forma”, disse Portas, defendendo que foi a invasão da Ucrânia pela Rússia que “acordou os europeus” — e que Trump acabou por acelerar esse processo Ainda assim, Paulo Portas mostrou reservas em relação à meta dos 5% defendida por Trump para a despesa em defesa “Os 5% não têm demonstração racional e, de resto, os próprios Estados Unidos não gastam isso”, afirmou Para o comentador, o mais provável é que os compromissos possam subir para “3%, 3% e pico”, mas não para o valor exigido pelo Presidente norte-americano Portas considerou também que a cimeira deverá ser muito focada na produção efetiva de armamento e equipamento militar “É uma cimeira muito focada na base industrial de defesa, nomeadamente da Europa”, disse, acrescentando que os Estados Unidos gostariam que essa base industrial fosse sobretudo “compradora de equipamentos americanos” O comentador analisou ainda os 250 anos dos Estados Unidos, descrevendo o país como “absolutamente extraordinário”, mas também “muito dividido, muito crispado, muito polarizado” Portas lembrou o percurso histórico norte-americano, da separação do Império Britânico à vitória sobre a União Soviética, mas considerou que o século XXI é já o século da ascensão da China e de uma situação interna “crescentemente difícil” nos EUA Apesar desse diagnóstico, Portas destacou as recentes decisões do Supremo Tribunal norte-americano como sinal de resistência institucional “O Estado de Direito e o papel da lei ainda não desapareceram dos Estados Unidos”, afirmou, dizendo esperar que nunca desapareçam Uma dessas decisões teve a ver com a cidadania por nascimento Portas criticou a tentativa de Donald Trump de limitar esse direito através de uma ordem executiva e resumiu a posição do Supremo numa frase: “Quem nasce na América é americano” O comentador defendeu que esta decisão “recorda o melhor da América” e levou o tema para uma dimensão humanista “Não pode haver bebés apátridas”, afirmou “Não há nenhum país humanista que possa condenar um bebé acabado de nascer a não ter nacionalidade, a não ter uma cidadania, a não ter nada que o proteja ” Portas falou também da Reserva Federal norte-americana, defendendo que Trump voltou a ser travado nos seus poderes “A Fed não é tua”, disse, explicando que a política monetária “não é competência do Presidente” e que os juros, a moeda e a ação do banco central não podem ficar dependentes de campanhas eleitorais ou de “perseguições pessoais” Para Paulo Portas, o Supremo deixou uma mensagem clara a Trump em várias decisões recentes, das tarifas à Reserva Federal, passando pela cidadania e pelo envio de tropas para Estados federados: “Os poderes do Presidente não são ilimitados” Outro dos temas abordados foi a dívida norte-americana, que Portas classificou como um problema silencioso “Não se fala mesmo nada, tirando em certos círculos económicos”, afirmou, alertando para o “crescimento absolutamente exorbitante da dívida americana” Segundo o comentador, as projeções apontam para uma dívida superior a 120% do PIB em 2030 Portas sublinhou que não vê vontade política, nem entre republicanos nem entre democratas, para enfrentar o problema “Isto um dia deixa de ser sustentável”, avisou No plano comercial, Portas comentou a posição de Trump sobre o acordo entre Estados Unidos, Canadá e México, sucessor do NAFTA O Canadá e o México quiseram prolongar o acordo por mais 16 anos, mas Trump respondeu, segundo o comentador, com um “nim” “Por um lado, não sai, mas, por outro lado, também não fica ” Para Portas, essa posição introduz instabilidade numa zona económica muito importante para os Estados Unidos, sobretudo porque muitas empresas norte-americanas produzem no México Ainda assim, sublinhou que Trump acabou por não romper com o acordo, apesar do seu protecionismo Sobre a inflação, o comentador assinalou que a zona euro teve uma descida mais significativa do que Portugal Na zona euro, disse, a inflação caiu para 2,8%, enquanto em Portugal passou apenas de 3,3% para 3,2% No Médio Oriente, Paulo Portas analisou as cerimónias fúnebres no Irão, que descreveu como “massivas” e com forte significado político, religioso e diplomático O comentador destacou a presença de delegações da Arábia Saudita, Omã, Qatar, Turquia, China, Rússia e Paquistão, considerando que isso “não é irrelevante do ponto de vista diplomático” Já sobre o estreito de Ormuz, Portas afirmou que a normalização está mais avançada no preço do petróleo do que no tráfego marítimo O Brent e o WTI aproximaram-se dos valores anteriores ao conflito, mas a circulação de navios continua longe da média habitual “O que ainda não fez grande parte do caminho O tráfego marítimo”, resumiu No final, Portas falou ainda da sua nomeação como comissário das celebrações dos 900 anos de Portugal Disse ter aceitado por considerar a missão importante e lembrou que “não há muitos países que tenham 900 anos” O antigo governante apontou três momentos centrais das celebrações: a Batalha de São Mamede, o Tratado de Zamora e a bula papal Manifestis Probatum O objetivo, disse, é recordar a história “sendo muito fiel aos factos” e, ao mesmo tempo, valorizar aquilo que une os portugueses: “Somos muito diferentes uns dos outros, mas vivemos juntos há quase nove séculos ” Fonte: TVI

Paulo Portas afirmou este domingo que a próxima cimeira da NATO será uma “cimeira de transição”, marcada pela pressão de Donald Trump sobre os aliados europeus e pela necessidade de reforçar a base industrial de defesa da Europa. No habitual comentário no Jornal Nacional, Portas lembrou que o compromisso dos 2% em despesa de defesa vinha de 2014, mas que a Europa não agiu a tempo. “A Europa dormiu na forma”, disse Portas, defendendo que foi a invasão da Ucrânia pela Rússia que “acordou os europeus” — e que Trump acabou por acelerar esse processo.

Ainda assim, Paulo Portas mostrou reservas em relação à meta dos 5% defendida por Trump para a despesa em defesa. “Os 5% não têm demonstração racional e, de resto, os próprios Estados Unidos não gastam isso”, afirmou. Para o comentador, o mais provável é que os compromissos possam subir para “3%, 3% e pico”, mas não para o valor exigido pelo Presidente norte-americano.

Portas considerou também que a cimeira deverá ser muito focada na produção efetiva de armamento e equipamento militar. “É uma cimeira muito focada na base industrial de defesa, nomeadamente da Europa”, disse, acrescentando que os Estados Unidos gostariam que essa base industrial fosse sobretudo “compradora de equipamentos americanos”.

O comentador analisou ainda os 250 anos dos Estados Unidos, descrevendo o país como “absolutamente extraordinário”, mas também “muito dividido, muito crispado, muito polarizado”. Portas lembrou o percurso histórico norte-americano, da separação do Império Britânico à vitória sobre a União Soviética, mas considerou que o século XXI é já o século da ascensão da China e de uma situação interna “crescentemente difícil” nos EUA.

Apesar desse diagnóstico, Portas destacou as recentes decisões do Supremo Tribunal norte-americano como sinal de resistência institucional. “O Estado de Direito e o papel da lei ainda não desapareceram dos Estados Unidos”, afirmou, dizendo esperar que nunca desapareçam. Uma dessas decisões teve a ver com a cidadania por nascimento. Portas criticou a tentativa de Donald Trump de limitar esse direito através de uma ordem executiva e resumiu a posição do Supremo numa frase: “Quem nasce na América é americano”.

O comentador defendeu que esta decisão “recorda o melhor da América” e levou o tema para uma dimensão humanista. “Não pode haver bebés apátridas”, afirmou. “Não há nenhum país humanista que possa condenar um bebé acabado de nascer a não ter nacionalidade, a não ter uma cidadania, a não ter nada que o proteja.”

Portas falou também da Reserva Federal norte-americana, defendendo que Trump voltou a ser travado nos seus poderes. “A Fed não é tua”, disse, explicando que a política monetária “não é competência do Presidente” e que os juros, a moeda e a ação do banco central não podem ficar dependentes de campanhas eleitorais ou de “perseguições pessoais”.

Para Paulo Portas, o Supremo deixou uma mensagem clara a Trump em várias decisões recentes, das tarifas à Reserva Federal, passando pela cidadania e pelo envio de tropas para Estados federados: “Os poderes do Presidente não são ilimitados”.

Outro dos temas abordados foi a dívida norte-americana, que Portas classificou como um problema silencioso. “Não se fala mesmo nada, tirando em certos círculos económicos”, afirmou, alertando para o “crescimento absolutamente exorbitante da dívida americana”. Segundo o comentador, as projeções apontam para uma dívida superior a 120% do PIB em 2030. Portas sublinhou que não vê vontade política, nem entre republicanos nem entre democratas, para enfrentar o problema. “Isto um dia deixa de ser sustentável”, avisou.

No plano comercial, Portas comentou a posição de Trump sobre o acordo entre Estados Unidos, Canadá e México, sucessor do NAFTA. O Canadá e o México quiseram prolongar o acordo por mais 16 anos, mas Trump respondeu, segundo o comentador, com um “nim”. “Por um lado, não sai, mas, por outro lado, também não fica.” Para Portas, essa posição introduz instabilidade numa zona económica muito importante para os Estados Unidos, sobretudo porque muitas empresas norte-americanas produzem no México. Ainda assim, sublinhou que Trump acabou por não romper com o acordo, apesar do seu protecionismo.

Sobre a inflação, o comentador assinalou que a zona euro teve uma descida mais significativa do que Portugal. Na zona euro, disse, a inflação caiu para 2,8%, enquanto em Portugal passou apenas de 3,3% para 3,2%.

No Médio Oriente, Paulo Portas analisou as cerimónias fúnebres no Irão, que descreveu como “massivas” e com forte significado político, religioso e diplomático. O comentador destacou a presença de delegações da Arábia Saudita, Omã, Qatar, Turquia, China, Rússia e Paquistão, considerando que isso “não é irrelevante do ponto de vista diplomático”.

Já sobre o estreito de Ormuz, Portas afirmou que a normalização está mais avançada no preço do petróleo do que no tráfego marítimo. O Brent e o WTI aproximaram-se dos valores anteriores ao conflito, mas a circulação de navios continua longe da média habitual. “O que ainda não fez grande parte do caminho? O tráfego marítimo”, resumiu.

No final, Portas falou ainda da sua nomeação como comissário das celebrações dos 900 anos de Portugal. Disse ter aceitado por considerar a missão importante e lembrou que “não há muitos países que tenham 900 anos”. O antigo governante apontou três momentos centrais das celebrações: a Batalha de São Mamede, o Tratado de Zamora e a bula papal Manifestis Probatum. O objetivo, disse, é recordar a história “sendo muito fiel aos factos” e, ao mesmo tempo, valorizar aquilo que une os portugueses: “Somos muito diferentes uns dos outros, mas vivemos juntos há quase nove séculos.”

 

Fonte: TVI

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