Se andas atento ao mundo da pirataria digital, sabes perfeitamente que o cerco à IPTV ilegal está a apertar em várias frentes. Onde temos de incluir Portugal, que ainda está numa onda de “impunidade” geral.
De facto, depois de termos visto os efeitos desastrosos dos bloqueios em tempo real em Espanha (como noticiámos aqui). A indústria do entretenimento e os detentores dos direitos desportivos decidiram elevar a parada a um nível continental. Ou seja, um consórcio que junta as maiores marcas do setor entregou uma proposta formal à Comissão Europeia que exige uma medida radical: a criação de uma lista negra centralizada para banir as empresas de alojamento que fecham os olhos aos servidores piratas.
Ou seja, em vez de andarem a caçar as aplicações ou os links partilhados um a um, o objetivo é cortar o oxigénio a quem aluga a infraestrutura técnica na Europa.

Portanto, o argumento apresentado em Bruxelas é que as leis atuais são demasiado lentas para acompanhar a velocidade a que a IPTV ilegal se adapta e muda de servidor. Com esta proposta, se uma empresa de alojamento web ignorar os avisos de que tem servidores a emitir sinal pirateado… Entra diretamente para um registo central de sanções gerido pela União Europeia.
Dito tudo isto, a partir do momento em que uma empresa entra nessa lista negra, todos os restantes operadores de trânsito de internet na Europa ficam legalmente obrigados a cortar as ligações técnicas com essa entidade.
Na prática, isto significa isolar o fornecedor do resto do mundo! Deitando abaixo todo o tráfego que sai dali e matando as transmissões piratas na raiz, antes sequer de chegarem à casa do utilizador. Para além disso, o plano exige que os fornecedores de servidores façam um controlo de identidade rigoroso aos clientes. Isto de forma a acabar com o anonimato de empresas fantasma.
Se, por um lado, as ligas de futebol e as produtoras consideram que esta é a única forma de estancar os prejuízos financeiros do streaming ilegal. Por outro, as associações de defesa dos direitos digitais já estão em alerta máximo.
Afinal, ao aplicar bloqueios totais a um fornecedor de alojamento completo, o risco de deitar abaixo sites e serviços legítimos por arrastamento é gigantesco. Algo que já anda a acontecer, e que assim só vai subir de nível. Muitas plataformas inocentes partilham a mesma infraestrutura física e os mesmos servidores que os operadores de IPTV.
Tu por aí, achas que faz sentido isolar empresas inteiras de alojamento para tentar erradicar os servidores de IPTV, ou este nível de controlo centralizado na Europa pode acabar por prejudicar a internet de todos nós?
Fonte: Zero Zero



