InícioRevistaInternacional«Portugal, que ameaçou mais do que concretizou neste Mundial, sai de mansinho»

«Portugal, que ameaçou mais do que concretizou neste Mundial, sai de mansinho»

Portugal caiu nos oitavos de final do Mundial 2026 perante a Espanha. Foi um golo já no tempo de compensação que deitou por água abaixo o sonho de Portugal conquistar o inédito título de campeão do mundo.

Tratou-se de uma campanha agridoce: de favoritos a meros candidatos. Com um dos melhores meios-campos do mundo, a imprensa internacional destaca a desilusão que foi a participação de Portugal e o desempenho de Cristiano Ronaldo.

O jogo que terminou com uma derrota perante a atual campeã da Europa ficou marcado por ter sido o último do capitão português num Campeonato do Mundo. Cristiano Ronaldo terminou a partida sozinho e com os olhos cheios de lágrimas.

Leia aqui o que se escreve lá fora sobre a eliminação da Seleção Nacional.

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Marca

A Marca deixou clara a existência de um jogador em destaque na defesa portuguesa, cuja saída precoce, no início da segunda parte, condicionou o jogo de Portugal. Nuno Mendes é visto pelo jornal espanhol como um «prodígio» que deu muitas dores de cabeça a Lamine Yamal.

«À semelhança de Roberto Carlos, uma lenda na lateral-esquerda. Nuno Mendes, a partir do seu corredor, transformou-se no grande influenciador do jogo. Com autoridade, o canhoto intercepta, distribui, cobra faltas e cantos, desestabilizando o rival. O seu mapa de calor transborda os limites do campo e, por isso, a sua lesão muscular na segunda parte trouxe um alívio para os espanhóis.»

O jornal atribui o título de “El Bicho”, muitas vezes dado a Cristiano Ronaldo, a Merino, o autor do golo que carimbou a passagem dos espanhóis à próxima fase da competição.

 

AS

O As reconheceu que, uma partida que chegou a ser vista por alguns como uma possível final, acabou por se revelar um jogo enfadonho.

«Foi um jogo mau entre duas boas equipas, um daqueles duelos que parecem ser jogados com o travão de mão puxado. Portugal e Espanha conhecem-se tanto que a batalha de Dallas resultou num duelo de olhares que entediou o público. Emoção houve, claro, pois o que estava em jogo era nada mais, nada menos, do que a passagem aos quartos de final de um Mundial. Por isso, foi preciso sofrer, cerrar os dentes e lutar à beira desse precipício que é o prolongamento.»

Sobre o capitão português, o jornal espanhol evidencia não ter existido «nenhum sinal dele».

 

Gazzetta dello Sport

A Gazzetta dello Sport focou-se nas lágrimas de Ronaldo e no facto de este há muito ter deixado de aquele jogador de alto nível que fomos habituados a ver em campo durante anos.

«O sexto Mundial é triste porque Cristiano já não é o CR7, o avançado robótico com abdominais de ferro e uma vontade de potência feita de granito. Houve um momento em que parecia capaz de marcar quando queria, sobretudo nos jogos importantes, sobretudo na Champions. O único humano autorizado a olhar Leo Messi nos olhos, de igual para igual. Mas a vida muda e o homem envelhece. Ronaldo, aos 41 anos, ainda sabe marcar golos, ainda consegue jogar ao mais alto nível, mas foi forte demais para aguentar a comparação com o passado. Perdeu aquela ponta de velocidade, e como poderia ser de outra forma? Houve um momento em que tentou uma aceleração, passou por entre três, mas foi travado, como acontece a todos, exceto aos 2, 3 ou 4 melhores do mundo. O problema é que Ronaldo esteve entre os 2, 3 ou 4 melhores do mundo, e esteve lá durante 20 anos.»

 

L’Équipe

O L’Équipe fala de uma Espanha que «tremeu, duvidou, mas avançou».

«A La Roja teve de esperar até os acréscimos para finalmente derrotar Cristiano Ronaldo e os colegas. Incapaz de influenciar o jogo, CR7 estava em lágrimas ao apito final»

O jornal espanhol reconhece as várias oportunidades criadas pelos portugueses e identifica a substituição de Nuno Mendes como o momento em que o jogo «mudou completamente».

 

The Independent

O The Independent destaca a forma «como Cristiano Ronaldo, Roberto Martínez e Portugal se tornaram a maior deceção do Mundial».

«Uma equipa que prometia muito entregou pouco na América do Norte. Havia a expectativa de que Portugal tivesse o melhor meio-campo do futebol internacional, além de um lateral-esquerdo excecional, Nuno Mendes.

Isso não se refletiu nos resultados quando mais importava. É impossível ter a certeza, mas fixação de Martínez em utilizar Cristiano Ronaldo, pode ter custado a Portugal uma vitória que se equipararia à da Euro 2016 e certamente negou-lhes uma melhor chance de conquistar um troféu.

A ineficácia ofensiva de Portugal na América do Norte, com exceção da goleada sobre o Uzbequistão, refletiu a incapacidade de Martínez em extrair o melhor de outros talentos ofensivos, possivelmente, em parte, porque eles foram prejudicados por Ronaldo.»

 

Olé

O Olé na Argentina reconheceu «que a melhor equipa venceu». O jornal argentino sublinhou uma campanha portuguesa no Mundial que ficou bastante aquém das expectativas e que resultou numa «despedida de Cristiano Ronaldo sem golos e com lágrimas».

«Portugal, que ameaçou mais do que concretizou neste Mundial, sai de mansinho, tal como Cristiano Ronaldo na sua despedida dos Campeonatos do Mundo.

[Cristiano Ronaldo] não fez uma grande partida, mas demonstrou mais uma vez o seu carinho pela camisola da seleção. As lágrimas que derramou no final, enquanto aplaudia os adeptos presentes numa das bancadas do estádio de Dallas, foram uma mensagem poderosa: uma expressão de tristeza por não lhes poder dar a eles, e sobretudo a si próprio, mais um momento de alegria».

 

Globoesporte

O Globoesporte no Brasil, acrescenta uma perspetiva diferente ao analisar o peso histórico do capitão português e ao afirmar que «o maior azar de Cristiano Ronaldo foi nascer na época errada».

«Cristiano Ronaldo decepcionou, assim como a seleção portuguesa -- pela qualidade da equipa, não era delírio pensar na inédita conquista. Aliás, o desempenho não é condiz com a sua carreira. Devido a problemas físicos, falta de companhia ou inferno astral, ele nunca foi o Cristiano Ronaldo que o mundo aguardava. Um astro que perdia brilho quando pisava no maior palco do futebol.

Após o jogo de ontem, Cristiano Ronaldo disse o Europeu [conquistado em 2016] é o seu Campeonato do Mundo. Ele tem razão -- apenas um vencedor pode julgar o tamanho daquilo que conquista. Para Portugal, antes dele, era algo inalcançável.

O peso histórico de Cristiano Ronaldo pode ser medido pelos ocupantes da mesa em que ele também pretendia sentar – Pelé, Maradona e Messi, o último convidado a chegar. E, durante algum tempo, essa ambição pareceu justificável. Esse é o tamanho de Cristiano Ronaldo, o craque cuja maior desventura foi ter nascido na época errada.»

 

Fonte: TVI

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