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Fim das janelas nos aviões? Descobre o que as vai substituir

Imagina entrar num avião e não veres uma única janela mas, em vez disso, teres as paredes e o teto cobertos por ecrãs gigantes que mostram o mundo lá fora. Não é ficção científica. Trata-se exatamente da aposta do Otto Phantom 3500, um jato privado norte-americano que quer fazer como a Tesla e trocar o vidro tradicional por ecrãs imersivos. Os voos privados são um dos temas mais polémicos da aviação: milionários e celebridades saltam de jato em jato, deixando na atmosfera milhares de toneladas de CO₂. Enquanto a Europa vai discutindo (há anos, e sem grande avanço) a proibição de voos curtos, esta empresa propõe uma alternativa radical. Um jato que promete poluir muito menos e que, se cumprir metade do que anuncia, pode mudar a forma como olhamos para a aviação executiva. Será o fim das janelas nos aviões?

Por trás do projeto está a Otto Aerospace, uma startup do Texas que já tinha tentado revolucionar o setor com o seu modelo anterior, o Celera 500L, que nunca chegou à produção. O Phantom 3500 é a sua evolução, e o segredo está na aerodinâmica.

O avião usa aquilo a que a empresa chama “fuselagem de fluxo laminar”: uma forma extremamente otimizada, com um perfil fluido em gota, pensada para que o ar deslize sobre a estrutura com a menor resistência possível. Segundo a fabricante, essa fisionomia permite reduzir o consumo de combustível em mais de 60% face a um avião equivalente. E, combinado com combustíveis sustentáveis (os chamados SAF, produzidos a partir de fontes renováveis), a empresa afirma que as emissões podem cair mais de 90% em comparação com outros jatos do mercado.

Convém sublinhar que estes são números avançados pela própria Otto, o avião ainda não voou, por isso há que levar as promessas com a devida cautela.

Antes de o pintarmos de verde, há um dado que convém não esquecer. Mesmo com estas melhorias, um jato privado continua a poluir muito mais por passageiro do que um avião comercial. Um voo de linha com 100 a 300 ocupantes ronda os 3 litros por passageiro a cada 100 km; o Phantom 3500, mesmo cheio com os seus nove ocupantes, ficaria acima dos 8 litros. Ou seja: mais eficiente que os rivais diretos, sim — ecológico em termos absolutos, nem por isso.

Entretanto, em termos técnicos, o avião leva entre seis e nove passageiros. Entretanto tem uma autonomia de cerca de 6.500 km e atinge uma altitude de cruzeiro de 15.500 metros, acima da zona onde se formam os rastos de condensação. É movido por dois motores Williams FJ44.

Aqui está a parte que mais dá nas vistas: não tem uma única janela. Por fora, a fuselagem é uma superfície lisa e contínua, sem qualquer abertura, o que, além de reforçar a estrutura, ajuda à tal eficiência aerodinâmica.

Por dentro, as paredes laterais e o teto são cobertos por enormes ecrãs de alta definição. A marca batizou o sistema de “Super Natural Vision”. Entretanto as imagens divulgadas são, de facto, impressionantes: em vez de uma janela pequena, muitas vezes tapada pela asa e cheia de riscos, terias uma vista panorâmica do céu e da paisagem em grande formato, com possibilidade de sobrepor realidade aumentada a indicar o que estás a sobrevoar.

O reverso da medalha? Há quem prefira ver o mundo com os próprios olhos e, claro, aqueles ecrãs são também o espaço perfeito para meter publicidade.

Por agora, o Phantom 3500 está em fase de certificação junto da autoridade da aviação norte-americana (FAA). O primeiro voo está previsto para 2027 e a entrada ao serviço para 2030. Sendo um protótipo, o desenho ainda pode sofrer alterações.

Mas há um sinal forte de confiança. Assim a operadora Flexjet já encomendou 300 unidades, num negócio avaliado em cerca de 5 mil milhões de dólares (à volta de 17 milhões de euros por avião). Se tudo correr como planeado, pode ser uma das maiores viragens da aviação executiva da próxima década.

 

Fonte: Zero Zero

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