InícioRevistaTecnologiaPortugal tem um imposto temporário com… 366 anos!

Portugal tem um imposto temporário com… 366 anos!

Hoje não vamos falar de aumentos nos smartphones ou de chips caros. Vamos falar daquele que é, muito provavelmente, o imposto mais bizarro e descarado da história de Portugal: o Imposto de Selo. Um tributo que serve para pagar um selo físico que já ninguém usa, numa era em que tudo é digital, e que continua bem vivo apenas por um motivo… Dá dinheiro a sério!

De facto, a história por trás disto é tão absurda que parece mentira, mas é a mais pura das realidades da nossa carga fiscal.

Regra dos 30/30: acaba com o buraco invisível que te rouba 3000€ por ano!

Para percebermos o tamanho da coisa, importa fazer um bocadinho de história. Este imposto foi criado no dia 24 de dezembro de 1660.

Sim, leste bem. Não foi propriamente a melhor prenda de Natal para os portugueses da altura. A ideia original era financiar a Guerra da Restauração da independência contra os espanhóis, imprimindo um selo em livros e documentos oficiais que custavam dinheiro ao Estado. Na altura, foi vendido como uma medida temporária e provisória. O pequeníssimo pormenor é que, 366 anos depois, a guerra já acabou há muito tempo, mas tu continuas a pagá-lo todos os meses.

Portanto, estamos em 2026, andamos com smartphones premium no bolso, assinamos documentos com chaves digitais e fazemos transferências instantâneas. Mas, o fisco continua a cobrar-te uma taxa por um selo de papel que já ninguém usa.

Pediste um empréstimo para comprar carro? Imposto de selo. Usaste o limite do cartão de crédito? Imposto de selo. Pagaste os juros do crédito à habitação ou fizeste um seguro de saúde? Imposto de selo. Compraste casa, puseste um imóvel a arrendar ou recebeste uma doação? Sim, adivinhaste: mais imposto de selo em cima.

Dito tudo isto, vocês perguntam… Mas Nuno, se o selo físico já não existe e o pretexto original morreu há séculos, porque é que isto não é abolido de uma vez por todas? A resposta é simples e curta: só no ano passado, esta brincadeira rendeu ao Estado mais de 2200 milhões de euros.

No fim do dia, ao Ministério das Finanças interessa muito pouco se o motivo do imposto faz sentido no mundo moderno ou se a desculpa original está ultrapassada. O que eles querem é arranjar formas de ir buscar dinheiro à nossa carteira sem que o contribuinte reclame muito. Aproveitando-se do facto de este valor vir camuflado em letras pequenas em quase todas as faturas e contratos que assinamos. O selo físico morreu, mas a cobrança ficou cá para os gastos.

 

Fonte: Zero Zero

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Cruz Vermelha no Niassa reforça mobilização de apoios para famílias vulneráveis

0
A Cruz Vermelha de Moçambique, no Niassa,  diz  que vai  continuar a mobilizar apoios para  garantir a assistência  as   famílias  vivendo  em situação difícil. Para...
- Advertisment -spot_img