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Tens discos de vinil em casa? Estes 4 mitos podem estar a destruí-los

O vinil está mais popular do que alguma vez esteve nas últimas décadas, e é fácil acreditar que estes discos duram para sempre. Afinal, quase toda a gente conhece alguém com uma coleção de há 30 ou 40 anos que ainda soa lindamente. Só que há um pormenor: esses discos de Vinil sobreviveram porque alguém os guardou, manuseou e tocou como deve ser. A durabilidade do vinil é real, mas é condicional, não automática. E há quatro mitos que transformam esse “para sempre” numa ilusão.

Acreditamos nisto porque o vinil não se deteriora à vista, como acontecia com as cassetes. Um bom disco esconde a idade durante anos, por isso assumimos que não está a envelhecer.

A realidade é que o atrito não é grátis. Cada passagem da agulha gera pressão e calor dentro do sulco, deformando o vinil em incrementos minúsculos. Um disco limpo, num gira-discos bem calibrado, aguenta centenas de reproduções sem perda audível mas o desgaste é cumulativo. Mais cedo ou mais tarde aparece sob a forma de ruído de fundo, estalidos e agudos mais apagados. O vinil é um consumível. Muito lento, felizmente, mas o contador está sempre a andar.

Interessa, e muito. É no armazenamento que se ganha ou perde o tal “para sempre”.

A regra de ouro: guarda sempre na vertical, nunca empilhados na horizontal. O peso contínuo de uns em cima dos outros acaba por empenar os discos. Também não os arrumes demasiado apertados — mas atenção, deixá-los tombados em ângulo dobra-os lentamente com o tempo.

Os especialistas em preservação recomendam manter a coleção a uma temperatura igual ou inferior à ambiente, com humidade baixa (à volta dos 35 a 40%) e longe da luz solar e de fontes de calor. E há um upgrade que muita gente ignora: as capas interiores. As de papel que vêm de origem podem ser bonitas, mas rasgam, largam fibras e acumulam estática que atrai pó; já as de PVC barato podem reagir quimicamente com o vinil ao longo dos anos. As capas interiores antiestáticas, forradas a plástico, resolvem os dois problemas. Truque extra: mete o disco na capa com a abertura virada para cima, para o pó não cair lá dentro e o disco não escorregar.

Romantizámos os estalidos e crepitações como o “charme” do vinil, por isso o pó parece caráter em vez de estrago. Só que lá dentro do sulco é uma carnificina.

vinil

A força com que a agulha assenta no disco pode ser de apenas uns gramas, mas está concentrada num ponto microscópico. O fabricante Shure chegou a calcular essa pressão em cerca de 26 toneladas por polegada quadrada. Pensa assim: preferias que te pisassem o peito com ténis ou com saltos altos?

A essa pressão, qualquer grão de sujidade preso não se limita a estalar: fica moído contra as paredes do sulco de forma permanente, danificando também a agulha. E uma agulha gasta estraga todos os discos que toca, muito antes de começar a soar mal. A solução é simples e aborrecida: uma escovagem com escova de fibra de carbono antes de cada audição, uma limpeza húmida de vez em quando, e uma agulha em bom estado.

As prensagens grossas de 180 gramas são vendidas como premium, e o peso passa a sensação de robustez. Mas o sulco não quer saber de quantas gramas o disco pesa. A geometria e o composto do vinil são iguais, independentemente da espessura. A única vantagem real é que os discos mais pesados resistem um pouco melhor ao empeno e assentam mais estáveis no prato. Uma prensagem normal de qualidade dura mais do que uma de 180 gramas mal tratada,  sempre.

O vinil pode mesmo sobreviver-te. Mas o mito de que dura para sempre é totalmente condicional. Quando compras um disco, não és só ouvinte: passas a ser o arquivista dele. Leva o trabalho a sério e o “para sempre” deixa de ser mito.

 

Fonte: Zero Zero

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