InícioRevistaSociedadeHospital Central de Nampula regista 49 mortes maternas neste ano

Hospital Central de Nampula regista 49 mortes maternas neste ano

No primeiro semestre deste ano, o Hospital Central de Nampula registou 49 mortes maternas, sendo que 17 foram por rupturas uterinas. A direcção do hospital decidiu interditar a entrada do chá caseiro na maternidade.

A maior unidade sanitária de Nampula opera em média três a quatro rupturas uterinas, o que para os responsáveis do mesmo é muito alto.

“A nossa rupturas uterina é, das causas de morte materna, a primeira causa de morte por hemorragia. Só neste primeiro semestre, nós tivemos 49 mortes maternas, das quais 17 foram por ruptura uterina. Nós tivemos um registo, neste primeiro semestre, de quase 170 rupturas uterinas. É muito alto”, explica Dinis Viegas, responsável pela maternidade do Hospital Central de Nampula.

A ruptura uterina é considerada uma catástrofe obstétrica. A explicação do médico gineco-obstetra não deixa margens para dúvidas.

“Para o bebé sair, ele precisa que o útero se contraia. Muitas das vezes, esta contracção é tão vigorosa que faz com que o útero se abra antes de o bebé sair. Rompe o útero, abre-se o útero, o bebé sai da cavidade uterina e fica na cavidade abdominal. Nós chamamos de catástrofe obstétrica porque o risco de morte é grande, porque o útero numa mulher grávida de termo, ele é um poço de sangue, ele tem mais sangue que o próprio coração”, acrescenta.

A cada mês, a maternidade do Hospital Central de Nampula assiste, em média, 400 partos e grande parte das complicações que levam ao bloco operatório são as rupturas uterinas.

Uma das causas pode ser o uso de substâncias tradicionais, que, ao nível das comunidades, se acredita que ajudem nas contracções do útero durante o trabalho de parto. Por isso, a direcção deste hospital decidiu interditar a entrada de chás caseiros na maternidade.

“Existem ervas tradicionais que impulsionam as contracções do útero. O grande problema é que estas ervas não são doseadas, são oferecidas, são chás naturais, são chás tradicionais que as nossas mães oferecem às gestantes para que acelerem o trabalho de parto”, explica, sublinhando que “o objectivo é acelerar o trabalho de parto, quando ela chega aqui não fica muito tempo. Só que isso, como nós não doseamos a quantidade do uterotónio, culmina muitas vezes com a ruptura uterina.”

Assim, a partir de já, o Hospital Central de Nampula passa a garantir o chá que é uma importante fonte de açúcar e energia necessária para a gestante em trabalho de parto.

Fonte: O País

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